Perspectiva Bereana 2: Estudo da Bíblia – o Caminho para as Trevas!

Perspectiva Bereana 2: Estudo da Bíblia – o Caminho para as Trevas!

15 de julho de 2020 Perspectiva Bereana 0

Na Sentinela 15/9/1910 (sessão – Perguntas dos Leitores) temos a resposta a uma carta enviada para o CG, no qual se considerou a seguinte pergunta (todas as transcrições da referida resposta estão nesta cor e o trecho mais importante dela estará em vermelho):

● Meu marido possui um livro, The Chaos of Cults (O Caos dos Cultos), de Jan Karel Van Baelen, e, nas páginas 218, 219, tal livro diz a respeito do Pastor Russell: A sua audácia era tão extraordinária que anunciou calmamente, — nas páginas iniciais de seus Estudos das Escrituras, que seria melhor deixar de ler a Bíblia e ler seus comentários do que omitir a estes e ler a Bíblia.’ A minha pergunta é: Será que o Pastor Russell realmente declarou isso ou se há tal declaração escrita no livro ou livros Estudos das Escrituras? — E. N., Estados Unidos.

Não tenho a mínima dúvida de que a pessoa que escreveu a carta esperava que a resposta fosse APENAS esta:

Quanto à declaração feita por Van Baelen, nem ela, nem qualquer coisa até mesmo remotamente semelhante já apareceu alguma vez em qualquer dos seis Estudos das Escrituras

mas esta é apenas parte da resposta.

Certamente, a elaboradora da pergunta não imaginava que alguém que era chamado de “pastor” (a pessoa que Jeová usou para resgatar o verdadeiro cristianismo, segundo o CG), pudesse escreve algo tão absurdo contra a Palavra de Jeová, algo que pode ser resumido como se lê em vermelho acima, logo, a expectativa da mesma era de que aquilo que o livro “O Caos das Seitas” afirma sobre Russell fosse uma completa mentira.

            Ocorre que Russell escreveu sim algo que pode ser resumido (resumo que reduz o tamanho do absurdo que Russell escreveu) como está no livro “O Caos das Seitas” e, pior do que ele ter escrito tal absurdo, é o fato do CG ter tentando  DEFENDÊ-LO usando a Bíblia!?

A estratégia adotada pelo CG, ao dar a resposta que irei analisar nesta postagem, foi de deixar para transcrever o trecho comprometedor (que aqui vou chamar de “trecho bomba”) mais para o final do artigo e isso foi feito para “suavizar o caminho” até ele, exatamente, para tentar dar maior credibilidade à afirmação (que introduzir a transcrição do “trecho bomba”), de que o escritor do livro “O Caos das Seitas” torceu as palavras de Russell!

            A fim de “quebrar” esta estratégia do CG, vou, ao invés de analisar a resposta desde se início, começar logo pelo “trecho bomba” (peço que você o leia duas vezes, com muito cuidado, refletindo bem em cada palavra):

                            O ponto especifico torcido por Van Baelen é o seguinte:

Ademais, não só descobrimos que as pessoas, ao estudarem apenas a Bíblia, não podem discernir o plano divino, mas, também descobrimos que, se alguém puser de lado os Estudos das Escrituras, mesmo depois de já os ter usado, e de se tornar familiarizado com eles, após os ter lido durante dez anos — se então alguém os puser de lado e ignorá-los, indo somente à Bíblia, embora entenda a Bíblia por dez anos, a nossa experiência mostra que dentro de dois anos ficará em trevas. Por outro lado, se tivesse simplesmente lido os Estudos das Escrituras, junto com as suas referências, e não lesse uma página da Bíblia sequer, esse alguém estaria na luz no fim de dois anos, porque teria a luz das Escrituras.

– Você consegue acreditar que um “pastor”, um “cristão” escreveu, não só o que se lê acima, mas também a série de livros “Estudo das Escrituras” a qual ele se refere?

– Você consegue acreditar que o grupo religioso que se formou em torno de Russell (que o chamava de “pastor”, grupo que deu origem às TJ) nada viu de errado em tais palavras?

– Você acredita que o escritor do livro “O Caos das Seitas” (doravante vou me referir a ele apenas por – escritor) torceu as palavras acima, quando as resumiu afirmando que Russell escreveu:

... que seria melhor deixar de ler a Bíblia e ler seus comentários do que omitir a estes e ler a Bíblia?

Obs – Este artigo poderia terminar aqui, pois, não é necessário mais nada para ter certeza que o trecho em vermelho acima não torceu palavra alguma de Russell, mas apenas resume (em parte) o absurdo que constitui as palavras dele.

Um resumo mais completo, que melhor expressa o quão antíbiblica é a declaração de Russell transcrita acima, seria:

…  melhor deixar de ler a Bíblia e ler seus comentários do que omitir a estes e ler a Bíblia, pois, o estudo da Bíblia, na própria Bíblia, deixa quem assim a estudar, nas trevas!

E podem acreditar (TJ que vierem a ler esta postagem), o “seu” CG defendeu a declaração ignóbil acima e não foi só mentindo (ao dizer que o escritor – torceu – as palavras de Russell), o CG:

-Tentou justificar tais palavras de Russell utilizando a própria Bíblia (como já havia informado) e

-Chamou a observação empírica de Russel (que relaciona os prazo de 10 e 2 anos) de “experiência moderna” de que a Bíblia é insuficiente!

Se quiser parar de ler aqui, já terá concluído o que irei concluir no final do artigo, assim, peço que vá para o final dele para ler após a linha tracejada. Se quiser saber mais a respeito, continue lendo.

Dito isso posso analisar a integra da resposta:

Em vista da reputação que gozavam os Estudantes da Bíblia nos dias do Pastor Russell, e que é gozada pelas Testemunhas de Jeová nos nossos dias, de conhecerem tão bem suas Bíblias, reputação esta bem merecida, deve haver algo de errado no que Van Baelen diz em seu livro. Há mesmo.

– Estranhei bastante este início de reposta, por duas razões:

A – É “em vista” (em razão) da “boa reputação” apontada para “Estudantes da Bíblia” (a partir daqui vou me referir a eles apenas pela sigla  – EB) e TJ que há algo errado no que afirmou o escritor?

Então se EB e TJ tivessem, ao invés de boa, uma péssima reputação em conhecer suas Bíblias, a afirmação do escritor estaria 100% correta?

Estou muito certo que a correção ou incorreção da conclusão a que chegou o escritor em nada depende do maior ou do menor conhecimento que EB e TJ tiveram/têm de suas Bíblias, concorda?

B – Ao afirmar que há ALGO DE ERRADO (ao invés de afirmar que “está tudo errado”) naquilo que afirmou o escritor, a resposta está afirmando (a contrario sensu) que o escritor tem razão em alguma coisa do que afirmou (e por mais que o texto vá negar que há algo correto no que ele afirmou , temos aí um verdadeiro “ato falho” do CG)!

Obs – Aproveitando o fato do CG ter julgado pertinente indicar um ponto comum entre os EB e TJ (a “boa reputação de ambos os grupos no conhecimento de suas Bíblias”) é importante ressaltar dois aspectos:

              I –  Se um membro do CG (representando todas as TJ) tivesse a chance de voltar no tempo e ir conversar com Russell (como representante dos EB) sobre doutrinas bíblicas, ao final da conversa, eu não tenho dúvidas de que cada um deles pensaria algo como:

– Russell – Temos crenças em comum com as TJ, mas, o conhecimento bíblico delas, em vários pontos, chegam a ser heréticos! No futuro as TJ estarão em trevas e isso irá ocorrer em razão de terem deixado de lado os “Estudos das Escrituras”!

– Membro do CG –  Temos crenças em comum com os EB, mas, o conhecimento bíblico deles, em vários pontos, chegam a ser heréticos! Eles tinham muito a apreender sobre as verdades bíblicas, mas não sabiam disso!

Em resumo: naquela que seria a visão dos EB, as TJ estão longe de conhecer bem suas Bíblias e vice-versa!

              II –  O CG, ao determinar às TJ no que elas devem e no que elas não devem crer,  não “trabalha” apenas com a verdade, o CG ensina erros misturados com acertos, seja ao explicar a Bíblia, seja ao dar orientações (e quando se mistura acertos com erros, não dá para saber o que é acerto e o que é erro)!

– É isso que confessa na Sentinela (de Estudo) de 2/2017, p.26, como se vê abaixo:

12 O Corpo Governante … pode cometer erros aos explicar assuntos da Bíblia ou ao dar orientações.  (…) Na verdade, Jesus não disse que o escravo ia dar alimento espiritual perfeito.

As TJ podem até conhecer bem suas Bíblias (por saber recitar todos os livros na ordem, por saber quem escreveu e quando se escreveu cada um deles), mas, conhecer as verdades da Bíblia, quando sua fonte de ensino confessa o que se lê acima, sempre irá tornar falso que as TJ conhecem bem suas Bíblias!

Mas vejamos o “algo errado” que há no resumo feito pelo escritor:

Em primeiro lugar, note-se que os dois discípulos no caminho de Emaús eram leitores da Bíblia, todavia, não entendiam a razão pela qual Deus permitira que Jesus fosse morto. Os escribas e fariseus liam a Palavra de Deus de modo continuo e, todavia, deixaram de avaliar que Jesus era o seu Messias. O oficial etíope, com quem Filipe se encontrou, lia a profecia de Isaías, mas não entendia o que lia.

Então, “em primeiro lugar”, para responder se Russell escreveu ou não o absurdo denunciado pelo escritor (o que já sabemos que ele escreveu) temos que lembrar que a Bíblia fala de pessoas que liam a Bíblia e que não entendiam certas coisas dela.

Por quê? Por que isso vem em primeiro lugar?

Será porque, se todas as pessoas narradas na Bíblia entendessem tudo da Bíblia, então, Russell não teria escrito o que escreveu, será que é – por aí?

Esse “primeiro lugar” (que caçoa da inteligência de quem lê esta resposta) serve apenas para “amaciar” o caminho para a afirmação antibíblica que a reposta irá transcrever mais a frente, é para ir fazendo o leitor começar a admitir a seguinte igualdade:

personagens bíblicos não entenderem tudo

sobre a Bíblia = ficar em trevas por estudar a Bíblia!

Esta indução nunca vai funcionar com aqueles que creem que a Bíblia é a Santa e Inspirada Palavra de Deus, para estes:

“Lâmpada para meus pés é a tua palavra

 e luz para os meus caminhos” (Sl. 119:105)

Nada tão claro, concorda?

De forma óbvia, não basta simplesmente ler a Bíblia; precisamos de ajuda para entendê-la. É por isso que Deus proveu apóstolos, profetas, missionários, pastores e instrutores. — Luc. 24:25-27, 32; João 5:39; Atos 8:30, 31; Efé. 4:11-15.

Meu Deus! Para defender o absurdo escrito por Russell, o jeito encontrado pelo CG é desacreditar a Bíblia por completo, é defender (embora sem dizer) que a Bíblia é um livro totalmente contraditório!

Não vou entrar (aqui) na (falsa) polêmica do “precisamos ou não precisamos” de ajuda para entender a Bíblia, pois, neste Blog eu já tratei deste tema duas vezes (nos Artigos: “A Bíblia Sem o CG na Visão do CG” e “Enquanto isso, no canal pró TJ: ´A Bíblia Não é Suficiente´”) e pretendo voltar a fazê-lo, de forma específica, em futuro ou futuros artigos.

– Aqui vou limitar a “devolver o dilema” para os leitores desta postagem:

Se o trecho acima está correto ao afirmar que sem ajuda ninguém pode aprender a Bíblia, se os textos bíblicos citados confirmam que isso é uma verdade, então, lhes convido a “decidir” qual texto ou textos bíblicos ESTÃO MENTINDO (e se há texto bíblico mentindo, fica difícil continuar enxergando alguma autoridade na Bíblia)!

Temos os textos citados acima (Luc. 24:25-27, 32; João 5:39; Atos 8:30, 31; Efé. 4:11-15) de um lado e II Tm.3:16

(Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça, 17 a fim de que o homem de Deus seja PLENAMENTE COMPETENTE, COMPLETAMENTE EQUIPADO para toda boa obra) de outro.

Você “escolhe”, leitor(a)

Quanto à declaração feita por Van Baelen, nem ela, nem qualquer coisa até mesmo remotamente semelhante já apareceu alguma vez em qualquer dos seis Estudos das Escrituras, escritos primariamente com vistas ao público. …

Este trecho eu já havia transcrito no início e já alertei que ele não é uma negação ao que o escritor concluiu, apenas revela que o escritor cometeu um erro (e este é o único “algo errado” que se pode atribuir ao escritor) ao indicar a literatura na qual se encontra o absurdo escritor por Russell (ele indicou a declaração antibíblica estaria nos “Estudos das Escrituras” – vou passar a me referir a estes livros apenas por – EE) mas ela está em uma Sentinela. É o que revela o próximo trecho.

… Cerca de seis anos depois de ter escrito o sexto volume, porém, o Pastor Russell realmente escreveu, na Sentinela, naquele tempo órgão da organização, algo que apareceu no exemplar de 15 de setembro de 1910 (da edição em inglês), sob o cabeçalho “É Estudo Bíblico a Leitura dos ‘Estudos das Escrituras’?”

Aqui temos que lembrar de dois fatores para revelar algo interessante:

1 – O escritor não transcreveu as palavras de Russell em seu livro, ele apenas resumiu o que Russell escreveu, em outras palavras.

2 – O escritor errou ao dar a referência de onde se encontra a declara-ção que resumiu.

Não obstante, o CG soube exatamente a qual escrito de Russell o escritor se referia e em qual literatura se encontrava!

Nos concentremos agora no título do artigo no qual se encontra o absurdo escrito por Russell, que podemos resumir assim:

Ler os Estudos das Escrituras = Estudar a Bíblia?

Se o “coração” da resposta de Russell tivesse sido algo como:

“Sim. Visto que os “Estudos das Escrituras” tratam dos mesmos temas contidos na Bíblia e tem inúmeras referências remissivas a textos bíblicos específicos, é razoável afirmar que ler [melhor seria – estudar] os Estudos das Escrituras é estudar a Bíblia”

Isso seria até aceitável, mas, a resposta de Russell vai muito além disso, aliás, o título do artigo da Sentinela, para se adaptar bem ao absurdo que Russell escreveu, deveria ser:

É a leitura dos “Estudos das Escrituras”a única forma não prejudicial de estudar a Bíblia?

O artigo de Russell responde “SIM” a esta questão, o CG se vê obrigado a  defender tal resposta, por mais absurdo e antibiblico que seja responder sim a ela!

Poderia fazer inúmeras argumentações aqui, mas vou me limitar a um só argumento – o temporal, usando para tanto um texto bíblico:

“Porque a palavra de Deus é viva e exerce poder, e é mais afiada do que qualquer espada de dois gumes, e penetra a ponto de fazer divisão entre a alma e o espírito, e entre as juntas e a medula, e é capaz de discernir os pensamentos e as intenções do coração”. (Hb. 4:12) – Esta realidade sobre a Palavra de Jeová, em sua modalidade – Bíblia–, só passou a viger na, melhor das hipóteses, em 1886 (quando foi publicado o 1º volume dos Estudos das Escrituras”)

É nisso que você acredita?

Russell acreditava nisso e o “único canal de

 comunicação que Jeová usa” defendeu isso!

Vejamos mais:

É aparentemente isso que Van Baelen torceu.

Mais abaixo, a resposta irá tratar, especificamente, do “trecho bomba”, o que mostra que o CG sabia, exatamente, qual trecho da Sentinela escrita por Russell a qual o escritor se referia (o que mostra o uso indevido do “aparentemente” acima), mas esse é um detalhe menor, o que importa aqui é destacar a MENTIRA que o CG teve que usar para defender o absurdo escrito por Russell!

O escritor do livro “O Caos das Seitas” TORCEU as palavras de Russell?

Vejamos: O “trecho bomba” afirma:

O ponto especifico torcido por Van Baelen é o seguinte:

Ademais, não só descobrimos que as pessoas, ao estudarem apenas a Bíblia, não podem discernir o plano divino,…

Resumo – Quem estuda apenas a Bíblia não pode discernir o plano divino (mas é pior do que isso)

…mas, também descobrimos que, se alguém puser de lado os Estudos das Escrituras, mesmo depois de já os ter usado, e de se tornar familiarizado com eles, após os ter lido durante dez anos — se então alguém os puser de lado e ignorá-los, indo somente à Bíblia, …

Resumo – Russell descobriu, pela observação, aquilo que escreveu no trecho acima e (se ele não estiver mentindo), foi um fato e não pode ter sido um fato isolado, deve ser algo que viu ocorrer várias vezes para poder falar com tanta convicção, isso é, trocar seus livros e ficar só com a Bíblia, é algo que tem uma consequência muito séria. Continuando:

… embora entenda a Bíblia por dez anos,

O entendimento bíblico obtido nestes 10 anos se deram apenas pelo estudo dos EE, assim, 10 anos estudando os EE = 10 anos estudando a Bíblia. Vejamos agora a consequência da troca:

… a nossa experiência mostra que dentro de dois anos ficará em trevas.

Resumo – Esta é a consequência: estudar a Bíblia, na Bíblia, faz desaprender a Bíblia, faz a pessoa ficar em trevas. Note: este fato não é um desejo de Russell, isso é um fato que a experiência revelou a ele e por isso, insisto (se ele não estiver mentindo) ele viu isso ocorrer várias vezes (e podem estar certo que qualquer pessoa que rejeitou ou passou a rejeitar os livros de Russell estava neste grupo).

Obs – Fazendo as contas (considerando estudo diário e anos de 365 dias cada) temos a proporção de 1 para 5, isso é, para cada um dia estudando a Bíblia se desprende aquilo que se acumulou de conhecimento bíblico em 5 dias lendo os “Estudos das Escrituras”!  

 Vejamos mais:

Por outro lado, se tivesse simplesmente lido os Estudos das Escrituras, junto com as suas referências, e não lesse uma página da Bíblia sequer, esse alguém estaria na luz no fim de dois anos, porque teria a luz das Escrituras.

Resumo – Quem nunca estudar a Bíblia, usando a Bíblia, mas usar apenas os EE estará na luz após 2 anos de estudo e isso reforça o quanto o estudo da Bíblia, na Bíblia, é destrutivo: quem estudou os livros de Russell por 10 anos, ao final de 2 já estava na luz. Com mais 8 anos de estudo esta pessoa era, comparativamente, o próprio sol,  porém, se este “sol” deixasse de lado os EE e passasse 2 anos estudando apenas a Bíblia, “o sol” se transformaria em trevas!

Como poderíamos resumir as palavras acima? Seria impróprio usar o seguinte resumo:

é melhor deixar de ler a Bíblia e ler os comentários de Russell do que omitir a estes e ler a Bíblia?

Se você, leitor(a), assim como eu, não encontra qualquer distorção nas palavras do escritor mas, pelo contrário, vê até uma certa complacência nelas então, assim como eu, você percebeu que o CG MENTIU para defender o indefensável!

Aqui preciso observar novamente:

Digo que o resumo é “complacente” porque ele ressalta apenas que estudar os livro de Russell, para aprender da Bíblia, é mais apropriado do que estudar, diretamente, a Bíblia mas deixa de fora o fato de que na visão de Russell, estudar as páginas da Bíblia não apenas nada ensina, mas faz desaprender o que se sabia sobre a Bíblia!

Antes de seguir em frente é importante afirmar que o artigo da Sentinela de 1910 é bastante longo e tem muitas informações importantes que foram (por razões óbvias, que vou apresentar em um futuro artigo), omitidos na resposta, mas aqui há um pequeno trecho extra das palavras de Russell na Sentinela de 1910 que preciso apresentar, para que tenhamos uma visão mais completa do pensamento dele.

Entre o título do Artigo (“É Estudo Bíblico a Leitura dos ‘Estudos das Escrituras’?”) e o primeiro trecho da Sentinela de 1910 que foi transcrito na resposta (que iremos ver mais abaixo) é afirmado (segue o texto em inglês e a tradução em azul):

THE plan of reading twelve pages of the STUDIES

IN THE SCRIPTURES each day, tried by so many,

results in more Bible study than any other way that

we know of. We believe that it is not so much the

time that is given to Bible study, but the amount of

study done and the amount of information gained, that counts.

“O plano de ler doze páginas dos EE a cada dia, tentado por muitos, resulta em mais estudo bíblico do que de qualquer outra maneira que conhecemos. Nós acreditamos que não é tanto o tempo que se dá ao estudo da Bíblia, mas a quantidade do estudo realizado e a quantidade de informações obtidas, isso é o que conta.

Como se vê, havia entre os “EB” um plano de ler 12 páginas dos livros que compõem a série “EE”, por dia.

O trecho acima deixa mais que evidente que os EB não eram aconselhados a ler e estudar diretamente a Bíblia, afinal, se ler 12 páginas de EE por dia era a forma mais proveitosa e eficaz de estudar a “Bíblia”, estudar diretamente a Bíblia era pura perda de tempo (era bem melhor usar o tempo extra que se gastaria lendo diretamente as páginas da Bíblia para ler além da 12ª página dos EE a cada dia)!

Obs – Esta informação também revela a seguinte realidade: O nome “Estudantes da Bíblia” sempre foi um equivoco para o grupo religioso formado por Russell, pois, os liderados de Russell não estudavam (e nem era aconselhável que estudassem) a Bíblia (em si). Se fizeram isso em algum tempo, então foram se aprofundando nas trevas, segundo a experiência de Russell! Após ter surgido os EE os liderados de Russell (grupo embrionário das TJ) deveria ter passado a ser:

 “Estudantes dos  Estudos das Escrituras!

            Sabendo disso, vejamos a última afirmação da resposta antes de começar a transcrever trechos da Sentinela de 1910:

O que foi ali escrito, contudo, pode ser prontamente avaliado à luz dos exemplos bíblicos precedentes.

Vejamos:

– Foi escrito onde?

R – No artigo da Sentinela de 1910.

– O que pode ser prontamente avaliado à luz da Bíblia?

R Tudo o que estiver escrito ali, inclusive que:

… as pessoas , ao estudarem apenas a Bíblia, não podem discernir o plano divino…

… se alguém puser de lado os Estudos das Escrituras, (…) após os ter lido durante dez anos — se então alguém os puser de lado e ignorá-los, indo somente à Bíblia, embora entenda a Bíblia por dez anos, a nossa experiência mostra que dentro de dois anos ficará em trevas.

Segundo o CG, PRONTAMENTE, as afirmações acima podem ser avaliadas à luz dos precedentes bíblicos!

E realmente podem: é antibíblico, é maligno, é repugnante, nada tem a ver com Jeová, com Jesus e com o evangelho, é indefensável, salvo para alguém que não acredita que a Bíblia é a Palavra de Deus, mas, para quem acredita que ela nos torna  “plenamente competentes” e “completamente equipados”, jamais irá aceitar e, muito menos defender, tais afirmações de Russell, pelo menos é o que se deveria esperar!

Vamos para a primeira transcrição do artigo:

Citamos de tal artigo, como se segue: “Todos nós conhecemos pessoas que gastaram dias e semanas e anos em estudar a Bíblia e pouco ou nada aprenderam. . . .

Isto é muito semelhante à caça e à pesca. Algumas pessoas vão caçar todo ano, e, embora gastem muito tempo em caçadas, isto não é indicação segura de quanto realmente caçam. Alguns gastam muito tempo em pescarias, mas, não pescam muitos peixes. O estudo da Bíblia é bem semelhante. Não é a quantidade de tempo que gastamos pensando sobre um trecho, mas é a quantidade de informações que obtemos da Bíblia.

Inicio pelo trecho sublinhado: Na minha experiência de estudar (qualquer coisa), pelo menos em regra, a quantidade de tempo que invisto estudando, refletindo sobre algum tema é diretamente proporcional à quantidade de informações que obtenho sobre ele, assim, soa estranho o trecho sublinhado, afinal, ele afirma que no estudo da Bíblia o que importa não é o tempo que se passa refletindo sobre um trecho bíblico (ou buscando outros trechos da Bíblia para ver o que eles têm a dizer, no conjunto, sobre um mesmo tema), mas sim, a QUANTIDADE de informações que obtêm na Bíblia?

O que Russell está querendo afirmar, é:

O importante é a quantidade de informações que obtemos da Bíblia, estudando fora da Bíblia!

É exatamente por isso que Russell afirma:

O plano de ler doze páginas da EE a cada dia, (…), resulta em mais estudo bíblico do que de qualquer outra maneira que conhecemos.(…)

Para além disso, como “também já sabemos”, ir “direto à fonte” (à Bíblia) nos conduz às trevas, logo, a mensagem clara é:

Não se prejudique estudando

 diretamente a Bíblia!

Era isso que Russell, ensinava, é isso que o CG, na resposta que estamos analisando, está tentando defender!

Na sequência a resposta vai continuar transcrevendo as palavras de Russell, do ponto que parou acima. Vejamos:

… é a quantidade de informações que obtemos da Bíblia. “Os seis volumes dos Estudos das Escrituras não têm por objetivo suplantar a Bíblia. (…)

Talvez isso fosse verdade para Russell quando começou a escrever sua série de livros, mas, depois de os ter escrito, fica claro que o conceito de Russell mudou, afinal, para escrever os EE ele estudou a Bíblia, porém, depois de pronta a escrita de tais livros (como já sabemos a Sentinela de 1910 foi publicada 6 anos após do lançamento do sexto volume dos EE) o conceito de Russell passou a ser que o único “local seguro” para estudar a Bíblia sem acabar em trevas, está nos livros que escreveu – e se isso não é suplantar a Bíblia – eu não sei o que suplantar significa.

Assim, vejamos o que o dicionário tem a dizer sobre esta palavra:

Transpor obstáculos; superar, exceder.

Sim, os livros de Russell (na visão dele) superaram a Bíblia, em especial porque, só após tais livros estarem escritos foi que o texto de II Tm. 3:16 (que até então era uma mentira) se tornou verdade, graças ao seguinte complemento fático:

16 Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça, 17 a fim de que o homem de Deus seja plenamente competente, completamente equipado para toda boa obra, tudo isso, desde que se aprenda das Escrituras por intermédio dos EE (sem estes livros a Bíblia continua conduzindo o homem às trevas, com uma única exceção – C.T. Russell)!?

Além disso, não se pode perder de vista que afirmar “meus livros não suplantam a Bíblia” nada mais é que uma forma “elegante” de dizer:

Minha obra se iguala à Bíblia!

Quem alega que sua obra não supera a Bíblia não está negando que sua obra possa se igualar a ela – e apenas sugerir isso já é um imenso absurdo para qualquer verdadeiro cristão!

Quando Russell afirmou que suas obras não suplantaram a Bíblia, isso não passou de falsa modéstia, afinal, ele mesmo afirmou que ler 12 páginas dos EE por dia:

resulta em mais estudo bíblico do que de qualquer outra maneira que conhecemos.

Continuando:

… suplantar a Bíblia. Há vários métodos a adotar no estudo da Bíblia, e tais ajudas bíblicas acham-se em tal forma que, por si mesmas, contêm os importantes elementos da Bíblia, bem como os comentários ou as elucidações de tais declarações bíblicas, baseadas exatamente no mesmo princípio de que nosso Senhor e os Apóstolos citaram do Velho Testamento, e então elucidaram aqueles trechos do Velho Testamento.”

Há vários métodos para estudar a Bíblia, porém, como já visto, se isso for feito diretamente na Bíblia o ser humano (com exceção do próprio Russell) ficará em trevas.

Se o “método” for usar as ajudas escritas por Russell, tais “ajudas”, por si mesmas, têm:

os importantes elementos da Bíblia,

– comentários ou as elucidações das declarações bíblicas e ainda o usa o

– mesmo princípio de elucidação seguido por Jesus e pelos Apóstolos,

logo, na prática,

para que estudar diretamente a Bíblia?

Ficar em trevas?

Visando afirmar que para Russell o importante era a Bíblia, temos na resposta aqui analisada:

Longe de desacreditar a Bíblia como base da fé da pessoa, prossegue o artigo, dizendo:

 “Ao ler pela primeira vez [os Estudos das Escrituras], e talvez pela segunda vez, e antes que possamos aceitar alguma coisa como nossa própria fé e convicção pessoais, devemos dizer: ‘Não vou aceitar isso só porque estes estudos o dizem; quero ver o que a Bíblia diz.’ E assim estudaremos as Escrituras à luz destes Estudos das Escrituras; provaremos todo ponto, ou o rejeitaremos, como talvez seja o caso. Não estaremos satisfeitos senão com a cabal investigação da Bíblia, deste ponto de vista.”

Há aqui, pelo menos, duas realidades que não podem ser perdidas de vista:

1 – Com base no trecho acima é possível fazer uma distinção entre aquilo que é “principal” e aquilo que é “acessório”: Principal é o que ilumina e acessório é aquilo que é iluminado pelo principal, e como se lê acima, os EE são o principal e a Bíblia é o acessório!

Disse o Salmista: “LÂMPADA para meus pés é a TUA PALAVRA e luz para os meus caminhos” (Sl. 119:105), no trecho acima a lógica se inverte, a Bíblia é estudada à luz dos EE (isso está escrito literalmente acima)!

2 – O fato do artigo afirmar que há liberdade para discordar dos escritos de Russell não é real na prática (lembramos que, segundo Russell, quem abandona os EE e vai somente a Bíblia desaprende o que sabia e fica nas trevas)! O que Russell pretendia é que todos os leitores de seus livros transferissem para eles a mesma autoridade que enxergavam na Bíblia, a Bíblia só deveria ser usada para confirmar seus escritos!

Obs – O que ocorria com os EB, em relação aos EE, é o mesmo que ocorre hoje com as TJ em relação aos escritos do CG. Em algumas de suas publicações o CG também parece dar liberdade para que as TJ discordem dele, também parecem indicar que a Bíblia é a autoridade final, mas toda a TJ sabe que, se discordar do CG e tornar sua discórdia pública, vai acabar expulsa dentre as TJ

Notem estes exemplos:

– Quando somos enganados por um vigarista, perdemos dinheiro. Se um político nos enganar, isso pode afetar a nossa liberdade. Mas, quando Satanás nos engana, de modo que rejeitamos a verdade a respeito de Jesus Cristo, deixamos de ganhar a vida eterna! Portanto, não se deixe enganar. Recorra com mente aberta à única fonte indiscutível da verdade religiosa, a Bíblia. É arriscado demais agir de modo diferente. — João 17:3. (S. 1/7/02, p.32)

2 Sem conhecimento exato podemos ser enlaçados por ensinos falsos promovidos pelo opositor de Deus, Satanás, o Diabo, que é “mentiroso e o pai da mentira”. (João 8:44) Portanto, se certa doutrina contradiz a Palavra de Deus, se é uma mentira, então, crer nela e ensiná-la desacredita a Jeová e nos coloca em oposição a ele. Assim, temos de examinar cuidadosamente as Escrituras Sagradas para saber distinguir entre a verdade e a falsidade. S. 1/6/88, p.15.

– A fonte autorizada de verdade religiosa é a Bíblia, a Palavra escrita de Deus. (João 17:17) (S. 1/11/70, p.644)

Ao ler os exemplos acima, temos a impressão de que as TJ têm liberdade de se apagar à Bíblia e discordar aquilo que lhe pareça estar contrário ela, porém, a verdade é:

Devemos comer, digerir e assimilar o que se coloca diante de nós, sem rejeitar certas partes do alimento porque talvez não convenha ao capricho do nosso gosto mental. As verdades que havemos de publicar são aquelas que a organização do escravo discreto fornece, não algumas opiniões pessoais contrárias ao que o escravo providenciou como sendo sustento conveniente. S. 1/11/52, p.164

Não sei dizer se há algum escrito de Russell que dizia algo semelhante aos EB, mas às TJ, há!

Na sequência a resposta dá um novo “salto” no texto (se afastando muito do “trecho bomba”, no objetivo de continuar “amaciando o caminho” para só depois transcrevê-lo) e vai para um trecho no qual Russell parece negar que seus livros substituem a Bíblia.

Antes de ver este isto é necessário trazer mais um trecho da Sentinela de 1910 que o CG omitiu nesta resposta, pois, ele ajudará a entender, realmente, o que Russell pensava (este trecho que segue é o parágrafo anterior ao “trecho bomba”):

If the six volumes of SCRIPTURE STUDIES are practically the Bible topically arranged, with Bible proof-texts given, we might not improperly name the volumes– the Bible in an arranged form. That is to say, they are not merely comments on the Bible, but they are practically the Bible itself, since there is no desire to build any doctrine or thought on any individual preference or on any individual wisdom, but to present the entire matter on the lines of the Word of God. We therefore think it safe to follow this kind of reading, this kind of instruction, this kind of Bible study

Se os seis volumes dos EE são praticamente a Bíblia, organizada em tópicos com textos bíblicos comprobatórios, podemos, e não impropriamente, denominar os volumes de “A Bíblia em Forma Organizada”. Isto é, eles não são meros comentários da Bíblia, mas são praticamente a própria Bíblia, uma vez que não há vontade de construir qualquer doutrina ou pensamento sobre qualquer preferência individual ou sobre qualquer sabedoria individual, mas de apresentar todo o assunto sobre as linhas da Palavra de Deus. Pensamos, portanto, que é seguro seguir este tipo de leitura, este tipo de instrução, este tipo de estudo bíblico. (p.298)

O primeiro objetivo de transcrever este trecho é demonstrar que toda a fala humilde de Russell, sobre si mesmo e sobre sua obra, deve ser encarada como falsa modéstia. O trecho acima é um imenso exemplo disso:

Se a partir dos EE temos livros que podem ser chamados, de forma apropriada, de

“Bíblia de Forma Organizada” o que havia, em termos de – Bíblia, – antes dos EE?

Além disso, ao escrever a “Bíblia de Forma Organizada” é obvio que ele teria que tratar de todos os temas bíblicos em tal “Bíblia” e ele diz expressamente acima que tais livros apresentam: “todo o assunto”, em linha com a Bíblia.

Como já sabemos o que consta do “trecho bomba”, sabemos que Russell ia bem além de afirmar (em relação a seus livros), que é:

“…seguro seguir este tipo de leitura, este tipo de instrução, este tipo de estudo bíblico.”

Agora que temos o contexto, vejamos a continuidade da Resposta:

E, sob o cabeçalho “Os ‘Estudos das Escrituras’ não São Substitutos Para a Bíblia”, citamos ainda mais:

Lendo apenas o título podemos pensar – no texto que segue abaixo dele será afirmado que o importante é a Bíblia, que o importante é estudar a Bíblia, que nada substitui a Bíblia, porém, não é isso o que vamos ler abaixo de tal título.

Antes de tratar da transcrição que segue é importante ressaltar que há duas realidades que precisam ser distinguidas:

1 – Uma coisa é cada pessoa, individualmente, ler livros que falam sobre a Bíblia, que têm referências bíblicas para cada afirmação feita e tal pessoa, por si mesma, concordar com todas as afirmações de tais livros como tendo apoio bíblico.

2 – Outra coisa, muito diferente, é estar em uma religião que, por um lado, me diz que posso discordar da base bíblica de seus ensinos mas, por outro, tem por ensinos oficiais que:

– seus livros são “a Bíblia organizada”,

– que estudar seus livros é a “melhor forma de estudar a Bíblia que se conhece”,

– que é a melhor forma de ter grande “quantidade de informações bíblicas” e – que se houver insistência em estudar a  Bíblia, na própria Bíblia, se acabará em trevas!

            Qualquer membro que começar a duvidar e questionar a “Bíblia Organizada” passa a ser visto, por seus amigos (que lhe chamam de irmão), como: fraco na fé, suscetível às sutis ideias de Satanás, entre outros títulos que, por eles mesmos, coagem a pessoa a abandonar esta postura e acatar tudo como verdade, por ser muito mais conveniente, seguro e confortável!

            Dito isto, analiso o próximo trecho transcrito, pedindo para que o(a) leitor(a) esteja atento para a seguinte ponto:

Em que sentido os livros de Russell não substituem a Bíblia?

“Por conseguinte, isto não significa substituir a Bíblia pelos Estudos das Escrituras, porque, no que concerne a substituir a Bíblia, os Estudos, pelo contrário, repetidamente se referem à Bíblia; e se qualquer pessoa tiver certa dúvida quanto a alguma referência ou se a memória de alguém falhar, de qualquer modo, a pessoa deverá refrescar a memória, e, na realidade, deve certificar-se de que todos os seus pensamentos estejam em harmonia com a Bíblia — não apenas com os Estudos das Escrituras, mas em harmonia com a Bíblia.”

Os “EE” não substituem a Bíblia porque fazem constante referência a ela, as afirmações do livro são “recheadas” de referências bíblicas (e realmente são, assim como ocorre com as literaturas do CG), logo, como os “EE”, falam sobre a Bíblia e  contêm referências bíblicas, os EE não a substituem!

Se você entende que isso não é substituir a Bíblia por outra literatura, que posso dizer que estudo a Bíblia, não obstante nunca ter a Bíblia, em si, como fonte originária de estudo, mas, apenas como fonte de confirmação (se necessário for), então para você não há substituição, porém, para a Bíblia há substituição sim, e foi o próprio Jeová quem inspirou o Apóstolo Paulo a deixar isso muito claro em II Tm. 3:16.

Leia este verso bíblico e se pergunte: quem está “completamente equipado” apenas com a Bíblia precisa de qualquer outra literatura?   

O final do trecho acima revela toda a hipocrisia de Russell – Se um EB (que era incentivado a ler 12 páginas dos EE por dia, porque esta era considerada a melhor forma de estudar a Bíblia que se conhecia) ao necessitar conferir se um determinado pensamento estava de acordo com a Bíblia, qual era a tendência?

Qual “Bíblia” ele iria consultar?

Iriam conferir a conformidade de seu pensamento na “Bíblia Organizada” escrita por Russell (que era efetivamente, lida todos os dias) ou na Bíblia (desorganizada) deixada por Jeová, cujo estudo direto significa perda de tempo e entrar em trevas?

Se um “Estudante da Bíblia” tivesse um pensamento a conferir e este não estivesse abordado nos “EE” e nem nenhuma outra literatura escrita por Russell, talvez, ele iria diretamente a Bíblia, mas só nesta hipótese.

Depois de rodear bastante a fim de tentar suavizar as coisas, chegou o momento da resposta transcrever e comentar o “trecho bomba”, e ele foi introduzido da seguinte forma:

O ponto específico torcido por Van Baelen é o seguinte:

Já demonstrei aqui que o escritor não distorceu absolutamente nada, são as palavras de Russell que são uma completa distorção do cristianismo!

Obs – O “trecho bomba” inicia com “Ademais” e este termo indica uma continuidade, uma soma de ideia àquilo que se acabou de afirmar antes. Em razão disso vejamos, novamente, o que é afirmado no parágrafo anterior ao “trecho bomba”:

Se os seis volumes dos “EE” são praticamente a Bíblia, organizada em tópicos com textos bíblicos comprobatórios, podemos, e não impropriamente, denominar os volumes de “A Bíblia em Forma Organizada”. (…) Pensamos, portanto, que é seguro seguir este tipo de leitura, este tipo de instrução, este tipo de estudo bíblico.

Agora que forneci o contexto imediato do “trecho bomba”, vou analisá-lo:

Ademais, não só descobrimos que as pessoas, ao estudarem apenas a Bíblia, não podem discernir o plano divino, …

Agora o “Ademais” faz mais sentido: Visto que os “EE” na verdade constituem “a Bíblia em sua melhor versão”, uma versão organizada da Bíblia, então, estudar esta série de livros é estudar a Bíblia, ADEMAIS, pessoas que estudam a Bíblia não podem discernir o plano divino!

Visto que só houve EE após Russell nascer e escrever estes livros, então, ninguém poderia entender “o plano divino” entre a morte do último dos apóstolos e, na melhor das hipóteses, estar escrito e publicado o primeiro volume dos EE (O Plano Divino das Eras, publicado pela primeira vez em 1886)!

Se tudo isso for verdade, então, certamente,

Russell foi o novo Messias enviado por Jeová!

Vejamos mais:

mas, também descobrimos que, se alguém puser de lado os Estudos das Escrituras, mesmo depois de já os ter usado, e de se tornar familiarizado com eles, após os ter lido durante dez anos — se então alguém os puser de lado e ignorá-los, indo somente à Bíblia, embora entenda a Bíblia por dez anos, a nossa experiência mostra que dentro de dois anos ficará em trevas.

Como afirmei, quando escreveu os EE Russell até poderia não ter a intenção de que sua obra suplantasse a Bíblia, porém, ao ver seus livros “em ação” ele DESCOBRIU o quanto eles são fundamentais, pois, o estudo da Bíblia só não conduz às trevas se  a “Bíblia” estudada for a que ele (re)escreveu e organizou!

Me impressiona também a “matemática” envolvida:

– Estudar os EE por 10 anos = estar na luz por 10 anos.

– Abandonar os EE e ir diretamente à Bíblia = trevas ao fim de 2 anos.

– Como já expressei antes, fazendo as contas: Um dia estudando (diretamente) a Bíblia apagam o “acréscimo luz” obtidos de 5 dias estudando os EE, assim, no final de 2 anos estudando diretamente a Bíblia, 10 anos de conhecimento bíblico terão se perdido e se estará em trevas:

proporção de 5 para 1 – eis o grande poder destrutivo do estudo direto da Bíblia (desorganizada) que Jeová nos deixou!

E, para mim uma das piores constatações:

– Aprender de Jeová e de seu plano de Salvação apenas e

 diretamente na Bíblia = desde sempre, das trevas para as trevas.

Esta conclusão deu nome a esta postagem!

Russell conclui:

Por outro lado, se tivesse simplesmente lido os Estudos das Escrituras, junto com as suas referências, e não lesse uma página da Bíblia sequer, esse alguém estaria na luz no fim de dois anos, porque teria a luz das Escrituras.”

Como um sujeito que escreve algo assim tem a “cara de pau” de afirmar que seus escritos não suplantaram a Bíblia?

            A leitura da Bíblia só não é prejudicial se for feita “pelas lentes” dos EE, só assim se sai das trevas!

            E mais absurdo que “o resgatador do verdadeiro cristianismo” assim ensinar é o “único canal de comunicação que Jeová usa” apoiar suas palavras e buscar na própria Bíblia apoio para elas!

            Depois de usar formas de “amaciar o caminho” para revelar o absurdo acima, vejamos que “argumentação fantástica” vem na sequência:

De modo óbvio, se ler a Bíblia apenas não der à pessoa o entendimento correto daquilo que lê, como mostram claramente os exemplos bíblicos precedentes,…

Conseguir falar em “óbvio” depois de transcrever tal absurdo, sem que seja para afirmar que o trecho transcrito é “obviamente absurdo” é inacreditável!

Nenhum dos “exemplos bíblicos precedentes” (Luc. 24:25-27, 32; João 5:39; Atos 8:30, 31; Efé. 4:11-15) afirmam que estudar a Bíblia deixa algum em trevas, se assim fosse, por exemplo, Filipe (At.8:30-31) com toda a certeza teria dito ao Etíope:

“depois que eu descer de seu carro, pare de estudar as Escrituras, pois, se você continuar, acabará em trevas e, até isso que acabei de lhe ensinar, se perderá na escuridão em que você entrará!

O CG crê que pode brincar com a inteligência das pessoas e que em razão de “sua autoridade” pode afirmar qualquer absurdo, pois, tudo será  encarado como “a verdade”, neste sentido, que bom que o CG, em 2017, confessou que também ensina o erro, pois, isso permite às TJ que lerem esta postagem serem livres para concluir que aqui está (mais um) excelente exemplo de erro cometido pelo CG e, assim, não se verem obrigados a fazer “malabarismos mentais” para se auto coagirem a não enxergar nada de errado naquilo que Russell afirmou – ao invés de concluir, simplesmente, o óbvio:

que tal afirmação  é maligna e que o CG,

 ao tentar defendê-la, está apoiando palavras malignas!

Notem, na sequência do trecho acima, como o CG chama aquilo Russell observava com aqueles que deixavam de lado os EE:

De modo óbvio, se ler a Bíblia apenas não der à pessoa o entendimento correto daquilo que lê, como mostram claramente os exemplos bíblicos precedentes, bem como as experiências modernas,…

As “experiências modernas” são exatamente aquelas que relacionam 10 anos estudando os EE e 2 anos estudando a Bíblia que vimos acima, aquilo que chama de “óbvio” tem a ver não só com os textos bíblicos que citou, mas sim, COM A EXPERIÊNCIA EMPÍRICA de Russell – estudar apenas a Bíblia leva as pessoas às trevas!

Continuando:

…então, se a pessoa simplesmente ler a Bíblia, página por página, e puser de lado as ajudas que a auxiliam a entendê-la, isto resultará em perder o entendimento do que lê.

Se o CG quer defender o que Russell escreveu e afirmar que o escritor torceu as palavras de Russell, então, isso tem que ser feito considerando “as ajudas” a que Russell se referiu – os EE – e não qualquer outra ajuda, porém, assim não pode fazê-lo, pois, nenhuma TJ estuda a Bíblia a partir dos EE (logo, se a “experiência moderna” de Russell for uma verdade – experiência que o CG defende nesta resposta – então todas as TJ estão, necessariamente, em trevas)!

E isto é especialmente verídico tendo-se em vista a promessa profética de que “a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”. (Pro. 4:18, ALA) E trazer toda esta luz sempre crescente à atenção de todos os sinceros estudantes da Bíblia, é o que faz o grupo de cristãos que serve como o “escravo fiel e discreto” de Mateus 24:45-47.

Não há nada de “especialmente verídico” em achar que se estuarmos as páginas da Bíblia ela nos deixará em trevas (o CG parece ter esquecido que acabou de transcrever o absurdo que Russell afirmou)!

Além disso, a “luz que brilha mais e mais” (acatando esta estranha interpretação do texto de Provérbios) já brilha (ou deveria brilhar) desde o 1º século e, mesmo assim, chegamos ao século XXI com o “escravo” fornecendo alimento espiritual que é  uma mistura de verdades e mentiras e, como não há como distinguir uma porção de alimento verdadeiro de uma falsa, Jesus não garante o alimento que o CG fornecesse e, notem, eu não inventei isso, não sou eu que estou afirmando que é assim, é o próprio CG que, em 2017, resolveu confessar que o “alimento espiritual que fornece” nunca foi (nem nunca será) perfeito, não obstante, todas as TJ são obrigados a:

comer, digerir e assimilar o que se coloca diante de nós, sem rejeitar certas partes do alimento porque talvez não convenha ao capricho do nosso gosto mental. S. 1/11/52, p.164

Para encerrar o CG afirma:

De modo claro, então, tendo-se em vista o precedente, o Sr. Van Baelen é culpado de voluntariamente dar falso testemunho contra o próximo,

Van Baelen, poderia ter processado a STV, por ter espalhado seu nome para vários países do mundo como sendo alguém que “voluntariamente” deu falso testemunho, mentiu sobre Russell, tudo porque após ler isto:

Ademais, não só descobrimos que as pessoas, ao estudarem apenas a Bíblia, não podem discernir o plano divino, mas, também descobrimos que, se alguém puser de lado os Estudos das Escrituras, mesmo depois de já os ter usado, e de se tornar familiarizado com eles, após os ter lido durante dez anos — se então alguém os puser de lado e ignorá-los, indo somente à Bíblia, embora entenda a Bíblia por dez anos, a nossa experiência mostra que dentro de dois anos ficará em trevas. Por outro lado, se tivesse simplesmente lido os Estudos das Escrituras, junto com as suas referências, e não lesse uma página da Bíblia sequer, esse alguém estaria na luz no fim de dois anos, porque teria a luz das Escrituras.

concluiu que Russell era:

 … tão audacioso que ele ‘anunciou calmamente, (…) que seria melhor deixar de ler a Bíblia e ler seus comentários do que omitir a estes e ler a Bíblia’ !

Não se pode esquecer que Russell gozava da mesma autoridade sobre os EB que o CG tem sobre as TJ, logo, os EB, não viam qualquer problema nesta afirmação de Russell e, certamente a defendiam como sendo correta e com base bíblica, assim como o CG, caçoando da inteligência dos leitores da Sentinela, também defendeu!

  A verdade, porém, é que nem o CG acredita em Russell, pois, se acreditasse, continuaria imprimindo e distribuindo os EE.

Se acreditasse não iria, na mesmíssima Sentinela no qual incluiu a resposta analisada acima (resposta que defende a absurda ideia de Russell de que aqueles que estudam a Bíblia, diretamente, na Bíblia, entram em trevas), questionar das TJ:

Toma tempo para o estudo pessoal da Bíblia e para meditar nas verdades que a prendeu?…………………………………………………………………………………………………..,. (a versão, em Inglês, da Sentinela no qual se encontra a resposta analisada acima, está na edição de 7/1/1957, p. 414-415 e nesta mesma Sentinela, na p. 410, §23, se encontra a afirmação acima – na versão em Português, a afirmação acima está na S. 15/6/58, p. 382, também no § 23)

Obs – Quando afirmo que o CG julga poder  brincar com a inteligência dos leitores da Sentinela, é porque ela realmente faz isto, como se vê neste caso: quem leu a Sentinela (em Inglês) de 7/1/57, na p.410 viu o CG perguntar se o leitor estava tomando tempo para o estudo pessoal na Bíblia e apenas 4 páginas depois, viu o CG defender as palavras de Russell, dentre as quais, que aqueles que deixam os EE de lado (livros que as TJ já não estudavam a muito tempo em 1957) e fosse:

…somente à Bíblia, embora entenda a Bíblia por dez anos, a nossa experiência mostra que dentro de dois anos ficará em trevas.

Por outro lado, se tivesse simplesmente lido os Estudos das Escrituras, junto com as suas referências, e não lesse uma página da Bíblia sequer, esse alguém estaria na luz no fim de dois anos, porque teria a luz das Escrituras.”

E tudo deve ser encarado como a verdade, afinal, tudo

foi provida pelo “canal de comunicação de Jeová”?

Para encerrar, meu conselho para você é: não tenha em sua vida nenhuma literatura diversa da Bíblia como fonte de autoridade (não coma, digira e assimile tudo o que o CG colocar diante de você, pois, ele também te ensina o erro e confessa isso)!

Se você crê na Bíblia como palavra de Deus, então confie nela quando afirma:

16 Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça, 17 a fim de que o homem de Deus seja PLENAMENTE COMPETENTE, COMPLETAMENTE EQUIPADO para toda boa obra.

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Você concorda com as palavras de Russell? Você estuda os EE? Você entende que o escritor do livro “O Caos das Seitas” realmente torceu as palavras de Russell? Você acreditar que quem estuda apenas a Bíblia, nas páginas da Bíblia, fica em trevas? Você também pensa ser um absurdo, não só o que Russell escreveu, mas o fato do CG ter defendido tal absurdo? Discorda de algum argumento que usei acima? Concorda com eles que quer acrescer outros? Encontrou algum erro de escrita no texto que exige correção? Seja em um ou alguns dos casos acima, escreva para mim (deixe um comentário no Blog e/ou escreva para o e-mail para: 1tessalonicenses5.21 @gmail.com). Desde já, agradeço.

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