Corpo Governante? (1)®

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15 de julho de 2020 Canal de Comunicação de Jeová Corpo Governante Todos os Artigos 0

Algo que sempre me impressionou em relação ao “órgão governante máximo sobre a vida das TJ”, está no binômio:

A Importância vital que o CG afirma ter na atuação de Jeová sobre seu povo

x

A obscuridade do CG na Bíblia e na História

Se é verdade:

– que Jeová faz conhecida sua vontade a seu povo, exclusivamente, via CG,

– que Jeová esclarece verdades bíblicas, gradualmente, apenas pelo CG,

– que Jeová orienta seu povo somente por intermédio do CG,

– que o governo (teocrático) de Jeová sobre seu povo se dá, apenas, por intermédio do GOVERNO exercido pelo Corpo GOVERNANTE,

– que Jeová está, realmente, preocupado com a salvação de pessoas (e pode estar certo que Ele está, tanto que usa uma figura muito familiar, cara e forte ao ser humano, a fim de revelar seu imenso amor – Jo.3:16) e, por fim, se é verdade:

que a salvação provida por Ele só pode se efetivar entre

aqueles que forem por Jeová governados, via CG, então:

Jeová  teria que ter deixado extremamente claro em seu livro (a Bíblia) a importância e a centralidade do CG em seu “modus operandi” salvífico!

Este deveria ser um dos ensinos mais claros, evidentes e reiterados da Bíblia, deveria ser impossível alguém que estuda a Bíblia afirmar que desconhece que este livro ensina sobre a existência e imensa importância do CG na salvação das pessoas!

Além disso, deveria haver registros históricos abundantes (ao longo de todos os séculos) de um CG continuo e de um povo continuamente alimentado por tal CG.

            Se assim não fosse, Jeová poderia ser acusado, com toda a razão, de ter feito algo incrível e impensável para prover salvação, porém, “na hora de tirar o 10” (como se dizia em um antigo programa humorístico) colocou tudo a perder simplesmente porque, deixou totalmente obscuro na Bíblia e na história uma “peça” fundamental em seu plano de salvação!

Ocorre que a Bíblia não ensina que viria a existir um CG que tem as pretensões demonstradas e, principalmente, exercidas pelo CG das TJ e a história é a maior testemunha de tal inexistência!

            São várias as possibilidades para demonstrar essa impossibilidade e por isso escreverei mais de um artigo com este mesmo título – Gorpo Governante?

            Para tanto, como sempre faço, vou adotar com verdadeiras as reivindicações do CG para analisar se elas se sustentam quando e confronto com a Bíblia e com a história. Neste artigo vou me prender mais aos aspectos históricos envolvidos, dentre os quais:

a absoluta necessidade da substituição

 “das peças” do CG, desde a era

 apostólica, até o

 CG que hoje

 atua

O texto bíblico máximo usado pelas TJ para defender a existência de um CG é Mt. 24:45 (que tem um paralelo em Lc. 12: 42 a 48) e ambos, são  entendidos pelas TJ como sendo:

– uma profecia feita por Jesus segundo a qual, no futuro, o CG seria inspecionado (pelo próprio Jesus) para saber se este continuou fiel em fazer aquilo que foi encarregado de fazer. Seria somente após esta inspeção que o CG, se aprovado, receberia uma nova responsabilidade – seria designado sobre todos os bens de Jesus (conforme verso 47 de Mt. 24).

A partir daqui vou adotar a seguinte forma para continuar a escrita deste artigo: Vou propor perguntas, vou indicar alguma literatura do CG e/ou algum texto bíblico que contribua ou dê a resposta e vou, a partir dela/dele, propor uma resposta para cada pergunta elaborada.

1ª Pergunta: O CG existe desde quando?

16 … No primeiro século, é provável que a maioria dos apóstolos estivesse em Jerusalém, que era onde ficava o corpo governante. (Atos 8:14; 15:2) – S. Estudo – 4/2018. pp.18-19,

Resp. – O CG existia já no 1º século.

2ª Pergunta: Quando o CG foi encarregado sobre os “domésticos” (= povo de Jeová)?

Mt. 24 – 45 “Quem é realmente o escravo fiel e prudente, a quem o seu senhor aencarregou dos seus domésticos, para  dar-lhes o seu alimento no tempo apropriado? 46 Feliz aquele escravo se o seu senhor, quando vier, o encontrar fazendo isso! 47 Deveras, eu vos digo: Ele o designará sobre todos os seus bens. (TMN com Referências)

Resp. – Quando estas palavras foram proferidas por Jesus o CG (que, na verdade, ainda não existia)já estava encarregado dos domés-ticosa! Isso é garantido pelo tempo verbal usado para “encarregar” no texto acima – pretérito perfeito – “encarregou”a), assim, o CG foi encarregado em algum momento anterior àquele que Jesus mencionou estas palavras, provavelmente,  entre o 1º e o 33º  ano do 1º século ou antes! (?)

3ª Pergunta: Antes de que data se deu (ou se dará) a inspeção do CG?

Obs – Ao pesquisar sobre isto descobri que estou desatualizado sobre este tema, porém, como um dos dados permanece o mesmo, para os objetivos deste artigo, ele é suficiente.

DESIGNADOS SOBRE TODOS OS BENS DO AMO

(…)Daí, em 1919, depois dum período de inspeção, veio o tempo de o Amo recompensar seu “escravo” fiel. Encontrando a classe deste servo deveras inteiramente fiel na alimentação da família da fé, Jesus deu ao “escravo” uma nova condição. (S. 1/8/75, p. 462-463).

Resp. – O texto acima deixa claro que a inspeção não ocorreu antes de 1919.

4ª Pergunta: Os humanos são seres mortais?

            Obs – Sei que a pergunta é absolutamente retórica, porém, como ela é importante no contexto deste artigo, e por isso a incluí.

Sl. 90 – 9 …Findamos os nossos anos como um sussurro.

10 Os dias dos nossos anos são em si mesmos setenta anos;

E se por motivo de potência especial são oitenta anos,

Resp. Sim. Os seres humanos (incluindo os que já fizerem e fazem parte do CG) são mortais.

5ª Pergunta – Foi necessário que a condição de “membro do CG”, ocupada pelos apóstolos, fosse sucessível ao longo dos séculos, a fim de permitir que o CG continuasse existente quando viesse a futura inspeção?

Aqui não é necessário citar nenhuma literatura, se Mt. 24:45 é uma profecia de um evento futuro, então, de duas uma:

– ou os apóstolos que compunham o CG no 1º século não morreram e continuam distribuindo “alimento no tempo apropriado” ainda hoje ou a condição de “membro do CG” é sucessível, isto é, após a morte de cada apóstolo abriu-se uma vaga no CG que foi ocupada por outra pessoa (como ocorreu com Matias, que veio a substituir Judas Iscariotes – At. 1:15 a 26) e assim tem ocorrido continuamente em, pelo menos, três de tais vagas (visto que o CG nega que “o escravo” possa ser um só homem e que se forem apenas dois, as votações entre eles poderiam terminar empatadas).

6ª Pergunta – Que doutrina católica esta necessária “sucessão de membros do CG” lembra?

Resp. A doutrina da “sucessão apostólica”, segundo a qual, a função de “Papa” vai tendo novo ocupante a partir do falecimento ou renúncia do anterior”

7ª Pergunta – Qual a diferença e a semelhança entre a doutrina da “sucessão apostólica” e a necessária sucessão ininterrupta de, ao menos, três “vagas” no CG?

Resp. A diferença (que em sua maior parte é meramente teórica) é: para os católicos o que se sucede, a cada novo Papa que assume a função, é a “condição de apóstolo”, isso é, tal e qual eram os apóstolos do primeiro século, o Papa se torna, inclusive, é inspirado pelo Espírito Santo e por isso suas palavras têm a mesma autoridade da Bíblia, tanto que, de acordo com esta doutrina o Papa, quando fala “ex cathedra”, não erra, assim como não erravam os inspirados apóstolos bíblicos quan-do falavam “ex cathedra”.

Já para no CG das TJ a sucessão não é “apostólica” mas sim “governamental, isso é, as vagas que vão sendo abertas no “governo coletivo” exercido pelo CG têm que ser preenchidas a fim de manter uma composição de pelo menos 3 membros (este número é por minha conta, nenhum literatura do CG afirma isso). A autoridade está sempre no colegiado e não do membro do CG, individualmente, porém, embora o CG não alegue ser inspirado nem se reivindique infalível, na prática, todas as TJ têm que encarar os ensinos do CG como tendo a mesma autoridade da Bíblia, razão pela qual tais ensinos são –  a verdade, aquilo que a Bíblia realmente ensina -, até e caso o CG ensine coisa diversa!

Aqui tenho que abrir um parêntesis para afirmar que somente quem consegue manipular corações e mentes pode se dar ao luxo de afirmar:

5 … Temos de evitar desenvolver um espírito de independência. Tanto por palavras como por ações, jamais desrespeitemos o canal de comunicação que Jeová usa hoje em dia. (Núm. 16:1-3) Em vez disso, devemos prezar o nosso privilégio de cooperar com o escravo fiel e discreto. E não devemos também nos esforçar em ser obedientes e submissos aos que tomam a dianteira na nossa congregação? — Leia Hebreus 13:7, 17. (S. 11/5/09, p. 14)

A ameaça de que qualquer espírito de independência que a TJ venha a criar em relação ao CG, significa se desqualificar perante Deus é muito efetiva, afinal,  o CG é o “canal de comunicação que Deus usa hoje em dia” (portanto QUEM FALA POR INTERMÉDIO DE TAL CANAL – É JEOVÁ, assim, ser, em qualquer medida, independente deste canal é ser independente de Jeová, não acreditar nos ensinos de tal canal, ainda que em mínima parte, significa não acreditar integralmente nos ensinos de Jeová)!

Com isso o CG obtém total autoridade sobre a vida das TJ e é bem por isso que Jeová, por intermédio de seu canal de comunicação, já enviou (no meu ponto de vista –  a revoltante) porção de “alimento no tempo apropriado” para as TJ:

Devemos comer, digerir e assimilar o que se coloca diante de nós, sem rejeitar certas partes do alimento porque talvez não convenha ao capricho do nosso gosto mental. AS VERDADES que havemos de publicar são aquelas que a organização do escravo discreto fornece, não algumas opiniões pessoais contrárias ao que o escravo providenciou como sendo sustento conveniente. (S. 1/11/52, p. 164)

Este ensino de Jeová para o seu povo deixa claro que  ter raciocínios discordantes do CG não passa de um “capricho do gosto mental”, afinal o CG só publica VERDADES!

Sendo assim encarado, fica fácil de manipular completamente corações e mentes, tanto que pode se dar ao luxo de negar (em outras palavras) que seja o “canal de comunicação de Deus” sem que isso traga qualquer prejuízo a sua absoluta autoridade sobre a vida das TJ, quando afirma coisas como:

“Nem desejamos que os nossos escritos sejam reverenciados ou considerados infalíveis.” (15 de dezembro de 1896, página 306) – citação da Sentinela reprisada na Despertai de 22/3/93 p.4

Ora! Mas se os escritos são “comunicações que emanam do canal de comunicação pelo qual Jeová fala” tais escritos só não serão infalíveis:

– se Jeová for falível ou se

– o “canal de comunicação” deixar de ser um mero “meio de passagem” das palavras de Jeová e começar a adulterar tais palavras (e estou certo que Jeová não  insistiria em usar tal canal de comunicação que perverte suas palavras e ensinamentos, não é mesmo)?

Mas, voltando ao tema central deste Artigo, vamos a próxima pergunta:

8ª Pergunta – O CG nega a “sucessão apostólica” da Igreja Católica, mas, como ele lida com a necessária “sucessão governamental” dos membros do CG?

            Aqui, nem vou oferecer uma resposta vou penas apontar aspectos relacionados a esta 8ª pergunta.

Ao que tudo indica o CG atual NÃO SABE, se quer, se tem havido uma “sucessão governamental” nas vagas que são abertas no CG desde o 1º século (por mais que a lógica coloque isso como uma necessidade absoluta)!

Nas poucas vezes que já tratou do tema, em algumas afirma expressamente que houve tal sucessão e em outras, nega que ela tenha ocorrido!

Começo pelas primeiras:

Jesus dissera: “Eis que estou convosco todos os dias, até à terminação do sistema de coisas.” (Mat. 28:20) Jesus Cristo é Cabeça da congregação, seu escravo, e suas palavras mostram que ele os fortaleceria para alimentarem seus “domésticos” durante todos os séculosEvidentemente, uma geração da classe do “escravo” alimentava a geração seguinte, além de continuar a alimentar a si mesma. (S. 15/7/75, p. 430)

Concordo plenamente com a afirmação acima! É isso o que tem que ter ocorrido e deve continuar ocorrendo a fim de que a inspeção, revelada em Mt. 25:45 a 47, tenha vez.

Se o escravo tivesse desaparecido, por ausência de “sucessão governamental” (como estou chamando) e Mt. 24:45 a 47 é uma profecia, então, poderíamos chamar a Jesus de “FALSO PROFETA”, na medida em que profetizou algo que seria impossível de ocorrer, se o escravo deixasse de existir.

– Neste ponto é fundamental afirmar que:

 não seria possível ao escravo desaparecer

por completo em certo período de tempo

e ressurgir tempos depois (nem uma e, muito

menos, várias vezes).

            Há mais de uma razão para não acreditar que, algo tão vital quanto a alimentação espiritual, poderia parar em algum tempo (e isso já é um motivo em si mesmo).

Para não estender demais este artigo, vou repetir o que afirma a última Sentinela citada e acrescer só mais dois argumentos, bem definitivos sobre este ponto:

1 – Jesus teria mentido em Mt. 28:20 se a alimentação espiritual parasse de existir (em absoluto ou de tempos em tempos), ainda mais nos séculos nos quais a Bíblia (o manual da vida e da salvação – II Tm. 3:16), enquanto conjunto, ainda não existia. Assim, repetindo o que já transcrevi acima é:

Evidentemente, uma geração da classe do “escravo” alimentava a geração seguinte, além de continuar a alimentar a si mesma.

            2 – Jesus se mostraria, realmente, um falso profeta e seria o culpado por fazer falhar sua própria profecia se a alimentação espiritual parasse em algum momento, afinal, Mt. 24:45 é bem claro:

“Quem é realmente o escravo fiel e discreto a quem o seu amo designou sobre os seus domésticos, para dar-lhes A)seu alimento no tempo apropriado? 46  Feliz B)AQUELE ESCRAVO, se o seu amo, ao chegar, o achar fazendo assim!

2A) O alimento distribuído pelo escravo é provido por Jesus, assim, se tal alimento deixou de ser provido, foi Jesus quem o deixou de prover (o mesmo Jesus que prometeu estar presente todos os dias, certamente, não deixaria de prover seu alimento a seus domésticos).

2B) O escravo que se tornaria feliz, segundo os versos acima, não era qualquer escravo, mas sim é – AQUELE ESCRAVO, aquele mesmo que Jesus já havia designado “sobre os seus domésticos” e não um outro escravo, logo, o escravo a ser inspecionado, obrigatoriamente, tem que ser (em razão da mortalidade humana) a sucessão daquele grupo de homens que formava o CG original e não qualquer outro!

3 – A luz (Pv. 4:18) teria deixando de brilhar “mais e mais” ao longo de séculos e como quem envia tal luz é Jeová, então, Ele pode ser responsabilizado por tornar falso este verso bíblico (que é muito importante na doutrina das TJ)!

Em apoio à impossibilidade da alimentação espiritual, do seu distribuidor e dos alimentados deixarem de existir em algum momento, cito o seguinte entendimento das TJ:

As Testemunhas de Jeová entendem que o ‘escravo’ é composto por todos os cristãos ungidos como grupo na terra em qualquer tempo determinado durante os 19 séculos desde Pentecostes. Por conseguinte, os ‘domésticos’ são esses seguidores de Cristo como indivíduos. (S.1/9/81, página 24)

            Então, aqui, mais uma vez, se confirma que houve sim o “escravo” durante todos os 19 séculos desde o dia no qual ocorreu o Pentecostes e houve também os “domésticos” por ele alimentados.

            Esta outra Sentinela também confirma que os “domésticos” e o escravo existiram desde Pentecostes:

Os membros ungidos, individuaisdessa congregação unida receberiam todos o mesmo alimento espiritual. Para tal fim, seu “amo” designou a classe do “mordomo fiel”, um corpo coletivo de cristãos ungidos na terra desde Pentecostes de 33 E.C. S.15/6/84, p.19

Não obstante tais afirmações categóricas das Sentinelas citadas e da certeza que decorre da Bíblia, em outros momentos o CG sugere que não houve “escravo fiel e discreto” e (consequentemente) “domésticos” a alimentar ao longo dos séculos, transformando aquilo que chegou a chamar de “evidente”, na Sentinela citada acima, em uma impossibilidade!

E não é difícil entender porque o CG “vacila” nesta questão, para isto, basta as seguintes perguntas:

Onde esteve este povo ungido, recebendo todos o mesmo alimento espiritual de um mesmo “escravo”, entre a morte do último dos apóstolos e o surgimento do CG das TJ? Com que nome (denominacional) este povo era conhecido (sabemos que o nome TJ eles não usavam)? O CG que os alimentava também adotava o título de “Corpo Governante”, “Escravo Fiel e Discreto” ou usava algum outro título? Há notícias deles (canal de alimentação e alimentados) durante os séculos?  De novo a resposta é:

Não!

Nem mesmo o CG das TJ (que se afirma a continuidade do CG original) consegue responder às perguntas acima! 

E o CG nunca dará tais informações pois nega (e só pode negar) que fora de seu próprio grupo religioso (cuja gênese mais remota remonta a 1870 – portanto a cerca de “18 séculos de distância” do CG original) tenha havido um outro “escravo” e um outro povo por ele alimentado, pois, mais uma vez, a história (os fatos – aqueles contra os quais não cabem argumento) lhe proíbem de assim fazer!

Notem:

            Se existia um “canal de alimentação de Jeová na terra” e um grupo exclusivo por ele alimentado, com gênese mais remota no 1º século, então, quando C.T. Russell “surgir no cenário” só poderia ter procurado, ingressado e ocupado uma vaga no antiguíssimo CG e passar, em conjunto com os membros que ali já estavam, a governar sobre o povo de Jeová, que já vinha sendo alimentado por tal “canal de comunicação” desde o 1º séculos, porém, foi isso o que ocorreu?

NÃO!

É o que nos revela a Sentinela de 1/1/74 na p. 10, na qual lemos um misto de palavras do escritor do artigo e transcrições do que escreveu o próprio C.T. Russell. Falando sobre Russell, afirma o artigo da Sentinela:

À idade de dezessete anos, ele já era cético. Aconteceu então algo significativo. Russell escreveu sobre isso mais tarde:

Aparentemente por acaso, certa noitinha entrei num salão poeirento, sombrio, em Allegheny, Pa., onde eu soube que se realizavam ofícios religiosos, para ver se o punhado de pessoas que se reunia ali tinham algo mais sensato a oferecer do que as crenças das grandes igrejas. Ali, pela primeira vez, ouvi algo sobre os conceitos do Segundo Adventismo, de Jonas Wendell. . . .

Embora a sua exposição das Escrituras não fosse inteiramente clara, . . . bastou, por Deus, a restabelecer minha abalada fé na inspiração divina da Bíblia e para mostrar que os registros dos Apóstolos e dos Profetas estavam indissoluvelmente vinculados.

6 Pouco depois, Russell e alguns outros começaram a reunir-se semanalmente para um estudo bíblico sistemático, com oração. A luz espiritual que recebiam de Deus intensificava-se, pois, “a vereda dos justos é como a luz clara que clareia mais e mais até o dia estar firmemente estabelecido”. (Pro. 4:18)

Aí está! C. T. Russell não integrou qualquer grupo religioso ou CG preexistente!

Após se tornar um cético (leia-se: após ter perdido a fé) ele veio a readquiri-la a partir da pregação de um pregador adventista (que as TJ não reconhecem como religião verdadeira) e após Russell iniciou sua própria religião, sendo que foi nesta religião que, muito tempo depois de seu início, pela primeira vez na história (pelo menos que tenha conhecimento), se passou a interpretar a parábola de Mt. 24:45 como profecia e a afirmar que um pequeno número de homens, dentre todos os ungidos, são a sucessão do CG da era apostólica e que as TJ são o povo para quem Jesus prove alimento espiritual!

Outro sinal claro da negação do atual CG de que tenha havido um outro CG além dele, recebendo de Jeová “a luz que clareia mais e mais” ao longo dos séculos, já nos foi dado pela última Sentinela acima citada quando, se referindo a Russell e seu grupo, afirma que:

A luz espiritual que recebiam de Deus intensificava-se, pois, “a vereda dos justos é como a luz clara que clareia mais e mais até o dia estar firmemente estabelecido”. (Pro. 4:18)

Na verdade esta menção a luz (que já deveria estar brilhando, mais e mais, desde o 1º século) sugere que a luz brilhou na era Apostólica, parou de brilhar completamente nos séculos seguintes, até que voltou a brilhar sobre Russell e seu grupo!

Há uma outra Sentinela (15/5/95, p. 17) que deixa isso ainda mais claro quando usa (em um artigo que trata dos “Lampejos de Luz Grande e Pequenos” e se refere a C.T. Russell e seu grupo religioso) o seguinte subtítulo:

PRIMEIROS lampejos de luz nos tempos modernos

A conclusão é imediata:

– houve lampejos de luz nos tempos antigos e após

– deixou de haver qualquer lampejo de luz por séculos, até que surgiram os

– PRIMEIROS lampejos nos tempos modernos!

            Como afirmei no início deste artigo, como a existência de um CG, um elemento tão fundamental no plano de salvação de Jeová para a humanidade, pode ser algo tão obscuro tanto na Bíblia quanto na história?

Porque o mesmo Jeová, que enviou seu próprio e único filho para morrer cruelmente a fim de prover salvação, seria tão negligente, durante tantos séculos, com seu próprio plano de salvação?

Será que a falha é, realmente, de Jeová ou será que as TJ de Jeová é que entenderam (ou foram induzidas a entender) tudo errado sobre estas questões?

 Agora, é com você, seu Deus

 e com sua consciência!

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Você discorda de alguma de minhas conclusões? Você sabe dizer onde esteve o CG ao longo dos séculos e o povo a quem tal CG (na verdade – Jeová) alimentava? Você acredita que Russell deu continuidade ao CG apostólico? Você confia que as TJ são a continuidade (com outro nome) do povo que foi alimentado pelo “canal de comunicação de Jeová” ao longo dos séculos? Você acredita que Jesus estaria presente todos os dias? Você acredita que a luz, que brilha mais e mais, sempre brilhou? Quer se expressar sobre qualquer outro aspecto deste texto não envolvido nas questões acima? Quer indicar uma necessária correção no texto. Escreva para mim (Itessalonicenses5:21@gmail.com) ou deixe uma mensagem no Blog. Desde já, agradeço.

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