“Nova Luz” sobre a “Doutrina da Nova Luz”®

“Nova Luz” sobre a “Doutrina da Nova Luz”®

5 de abril de 2020 Nova Luz Todos os Artigos 0

“Até mesmo a doutrina das “novas luzes” está sujeita a receber “nova luz”!

A doutrina das “novas luzes” ou dos “lampejos de luz” é usada pelo Corpo Governante (CG) das Testemunhas de Jeová (TJ) para justificar todas as suas (inúmeras) mudanças de entendimento sobre temas bíblicos. São poucos os ensinos bíblicos  das TJ que se iniciaram com C.T. Russell (fundador do movimento religioso que veio a se transformar nas atuais TJ) ou que surgiram posteriormente e que permanecem, sem qualquer alteração, até os dias de hoje (praticamente as exceções se restringem à negação de algumas doutrinas tradicionais das igrejas evangélicas e católica).   
A doutrina das “novas luzes” na visão das TJ (na verdade de seu CG), está baseada em Pv. 4:18 e a interpretação (velada, de entrelinhas) que o CG pretende para estes versos bíblicos é, simplesmente, “fantástica”!
O texto e seu contexto (vv. 10 a 19) são de clareza solar! O sábio Salomão estava  fazendo (apenas e tão somente) um paralelo entre o caminho dos justos (que fica cada vez mais claro – v. 18) e o caminho dos iníquos (que andam por caminhos tão escuros que ficam impedidos de saber no que estão tropeçando – v. 19), porém, a interpretação do CG é:
 
– Pv. 4:18 se aplicou, inicialmente, aos Apóstolos e, após a morte do últimos deles (o evangelista João em 103 dC, conforme indicam os estudiosos) só voltou a se aplicar a este mundo, ainda que timidamente, a CT. Russell (por volta do ano 1870, portanto, mais de 17 séculos depois) e, de forma intensificada, a partir do momento em que o “Escravo Fiel e Prudente” (Mt. 24:45) foi  eleito por Jesus (em 1919) e passou a ter um “porta voz” – o CG. É ao grupo de homens que forma o CG, quando atua coletivamente, que se aplica, de forma direta e exclusiva, Pv. 4:18! 
Identificando todos os “personagens” do texto, temos:
– O “filho” (v. 10) e aos “justos” (v. 18) se referem ao CG!    
– Os demais “justos”, que não pertencem ao CG, são as TJ. (Pv.4:18 só se aplica a estes indiretamente, isto é, somente quando a “vereda do CG” se torna mais clara é que, “por tabela”, a vereda de cada TJ também se torna mais clara, obviamente, sempre na mesmíssima proporção)!
– O “sol” ou a “lâmpada” que ilumina ao CG (diretamente e mais e mais) é Jeová Deus.
Obs  Não obstante ser Jeová a fonte de iluminação do CG, isso não dá qualquer garantia de que a luz já existente ou a acrescida (sobre cada entendimento bíblico que tenham) seja verdadeira (o aumento da luz sobre determinado entendimento pode implicar no obscurecimento deste mesmo entendimento)!
– O “sol” ou a “lâmpada” que ilumina às TJ é o CG e o meio condutor da “luz extra” que ele emite (na verdade, repassa, após ter recebido de Jeová) são as publicações (com destaque para a Revista Sentinela). A iluminação crescente provida nas publicações padecem dos mesmos vícios da luz recebida pelo CG pois, nada mais é que um mero repasse.  
– Os Iníquos são todos aqueles que nunca foram e, principalmente, aqueles que deixaram de ser – TJ (estes não sabem no que estão tropeçando)!
Abaixo faço algumas transcrições (destaques acrescidos) de publicações do CG a respeito de Pv. 4:18, que visam comprovar todas as afirmações feitas acima. Em tais transcrições (e em todas as demais deste artigo) vou usar a cor azul.
Lampejos de luz, grandes e pequenos (Parte um)

 

“A vereda dos justos é como a luz clara que clareia mais e mais até o dia estar firmemente estabelecido.” — PROVÉRBIOS 4:18.
UMA prova da sabedoria divina, de acordo com Provérbios 4:18, é que a revelação de verdades espirituais tem ocorrido gradualmente, por meio de lampejos de luz. No artigo precedente, vimos como este texto se cumpriu no tempo dos apóstolos.
(…)
Primeiros lampejos de luz nos tempos modernos
6Um fato que se destaca muito com relação aos que Jeová usou para produzir este gradual aumento de luz espiritual é que eles não atribuíam nenhum mérito a si mesmos. A atitude de C. T. Russell, primeiro presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), era que o Senhor se agradava em usar os humildes talentos deles. (…)
8É notável ver quanto Jeová, por meio do espírito santo, favoreceu esses primeiros Estudantes da Bíblia com lampejos de luz.
 
Comentário – Incluí esta menção a C.T.Russell por duas razões: revelar que o CG considera que com Russell ocorreram os “primeiros lampejos de luz dos tempos modernos”. Isso confirma que, na interpretação do CG, realmente, Pv.4:19, ficou “sem funcionar no mundo” por mais de 17 séculos! Em lugar – Foi com Russell que surgiu o “primeiro lampejo de luz” sobre a doutrina das “novas luzes” (como veremos mais abaixo).
(…)
11Foi especialmente a partir de 1919 que os servos de Jeová têm sido abençoados com crescentes lampejos de luz.
todas as transcrições acima retiradas da S.15/5/95, p.15 a 18
Comentário – Embora com Russell Pv. 4:18 tenha voltado a “funcionar”, foi a partir de 1919 que os lampejos de luz se intensificaram, como havia afirmado.
 
Este corpo governante é composto de membros do “escravo fiel e discreto”. Serve qual porta-voz do “escravo” fiel.
Lv. Poderá Viver… p. 195, §13
 
Comentário – Como afirmei, não é exatamente ao “escravo” que se aplica Pv. 4:18, mas sim, ao seu “porta-voz” – o CG (o restante dos chamados “ungidos”, embora sejam parte do “escravo”, só têm seus respectivos caminhos iluminados, mais e mais, por intermédio da luz primeiro recebida por seu “porta-voz”, como ocorre com todas as demais TJ)!   
 
12 O Corpo Governante não recebe revelações da parte de Deus nem é perfeito. Por isso, ele pode cometer erros aos explicar assuntos da Bíblia ou ao dar orientações. (…) Na verdade, Jesus não disse que o escravo ia dar alimento espiritual perfeito. 
 S. 2/2017 p. 26
Como afirmei, a “iluminação” recebida pelo CG, não garante real aumento no entendimento das verdades, afinal, a “iluminação extra” por ele provida pode esclarecer ou obscurecer o entendimento das verdades bíblicas e, como esta mesma luz é repassadas às TJ por intermédio das publicações, ela padece dos mesmos vícios que aquela contiver. Não obstante, a “iluminação” recebida pelo CG e repassada às TJ, é atribuída a DEUS, como se vê abaixo:
18 Naturalmente[!],  a leitura da Bíblia não deve substituir seu uso da excelente matéria de estudo providenciada por meio do “escravo fiel e discreto”. Esta também faz parte das provisões de Jeová— uma provisão muito preciosa. (Mateus 24:45-47)
 
S. 1/5/95, p.19
Obs – Para não desviar do tema tratado, não vou comentar o abjeto uso da palavra “naturalmente” acima. O importante é a comprovação de que, tanto a luz que esclarece quanto aquela que obscurece a verdade sobre cada tema bíblico é atribuída a Jeová.
         – A próxima citação deixa bem claro que ninguém deve se atrever a pensar que “seu caminho” foi iluminado por Jeová antes do CG, MESMO QUE TENHA TOTAL RAZÃO QUANTO A ISTO (sobre isto, veja, em especial, a parte final da citação que segue)! Os trechos entre colchetes foram acrescidos para facilitar a compreensão.
 
Fomos nós designados individualmente a produzir o sustento para a mesa espiritual? Não? Por isso não tratemos de assumir os deveres do escravo. Devemos comer, digerir e assimilar o que se coloca diante de nós, sem rejeitar certas partes do alimento porque talvez não convenha ao capricho do nosso gosto mental. As verdadesque havemos de publicar são aquelas que a organização do escravo discreto fornece, não algumas opiniões pessoais contrárias ao que o escravo providenciou como sendo sustento conveniente. Jeová e Cristo dirigem e corrigem o escravo conforme a necessidade, não nós como indivíduos. Se não entendemos um ponto no princípio, devemos tratar de apreendê-lo, em vez de nos opor a ele, rejeitando-o e assumindo a posição presunçosa de que provavelmente tenhamos mais razão do que o escravo discreto. Devemos prosseguir andando mansamente com a organização teocrática do Senhor e aguardando esclarecimento adicional, ao invés de levantar objeções quando primeiro se menciona um pensamento que não nos apetece e começar a sofismar e resmungar nossas críticas e opiniões como se fossem de mais valor do que a provisão de alimento espiritual pelo escravo. As pessoas teocráticas apreciarão a organização visível do Senhor (…)
Seu egoísmo os cega de modo que não vêem que a organização teocrática visível nunca pretendeu ser infalível, mas sabe que a mensagem será continuamente purificada pela eliminação das ideias errôneas, espera que as novas verdades se tornem mais manifestas ao passo que se cumpram mais profecias, que a luz brilhará gradualmente cada vez mais até o dia perfeito, e os esclarecimentos virão por meio do escravo discreto e não por meio de especuladores que exaltam a si próprios. (Pro. 4:18; Isa . 6:5-7; Mal. 3:1-3) É um processo contínuo, porque o escravo deve “continuar a dar-lhes sua medida de abastecimento de víveres no devido tempo”. (Luc. 12:42, NM). Sem dúvida alguns [referência às TJ que não fazem parte do CG]  têm ideias que só são publicadas [como alimento espiritual na Sentinela] mais tarde; fazê-lo mais cedo talvez [portanto, o que se afirmará a frente, não é uma certeza] fosse prematuro, não no “devido tempo”. Esperai no Senhor.
S. 1/11/52, p. 164-165
Comentário – Como se vê, a “iluminação progressiva” vem sobre o “escravo” (na verdade sobre o seu “porta voz”, o CG) e não sobre as TJ, e é por isso que pude afirmar que, nestes  “tempos modernos”, Pv. 4:18, na interpretação do CG, se aplica (de forma direta), apenas a ele próprio!
    Obs – Todas as vezes que releio esta Sentinela de 1952 “bate” uma “revolta santa” ao observar a truculência como o CG julga poder escravizar as TJ e por isso tenho que afirmar: 
– Estou absolutamente certo que não preciso dar ouvidos ao CG, não preciso entregar o controle de minha vida a ele – prefiro buscar ajuda Daquele que “conduz a toda a verdade” (Jo.16:13) e a usar como guia apenas a Bíblia, afinal, é ela que me mantém complemente equipado (II Tm. 3:15), é ela a “lâmpada para meus pés e luz para meu caminho” (Sl.119:105) e não o CG! E para você, querido(a) leitor(a), também é assim?
  
 
– Exposta a doutrina das “novas luzes” (qual sua função, qual sua “origem” – Pv.4:18 – e como ela é entendida), passo a parte final deste artigo: a comprovação de que nem a “doutrina das novas luzes” está isenta de receber “nova luz”!
Vou citar aqui duas “luzes diversas” (ensinos divergentes) sobre a doutrina das “novas luzes”. A 1ª é a mais antiga de todas (disso tenho certeza) e a 2ª é aquela que lhe substituiu, ao menos em parte,  e que está vigente até hoje (quanto a ter sido apenas uma “nova luz” sobre o tema, após a “luz inicial”, não estou plenamente certo, foi isso que minhas pesquisas indicaram e, caso esteja enganado, espero que alguém me alerte).
 
LUZ ANTERIOR – Esta foi a 1ª luz sobre a “doutrina das novas luzes” e, se encarar Pv.4:18 da forma pretendida pelo CG (revelação gradual de verdades bíblicas por Jeová) e não como aquilo que realmente e (o crescer na fé e no relacionamento pessoal com Deus), concordo plenamente com ela, afinal:
 
Ela não ensinava que Pv. 4:18 se aplicava a um CG, mas sim a pessoas, direta e individualmente (e para mim, é isso que o texto de Provérbios realmente ensina) e
Tem uma lógica irretocável e que concorda com o restante da Bíblia.
Tal “luz inicial” sobre o tema foi publicada (na revista Sentinela, em Inglês) do distante mês de fevereiro de 1881. 
Na p. 3 da referia Revista, CT Russell (e não um CG) afirmar o seguinte (vou fazer alguns comentários em meio ao texto):
…Durante os últimos seis ou sete anos, o Senhor tem liderado a nós, seu povo, de uma maneira muito notável. Quando olhamos para trás, podemos ver que nossa vereda tem sido “uma luz brilhante … brilhando cada vez mais”. Isso tem se dado progressivamente, trazendo-nos força como “alimento no tempo apropriado”. Isso nos fez crescer tanto em graça e conhecimento e esse crescimento, levado em consideração o fato de que não somos obrigados a olhar para trás e chamar, agora, de escuridão o que então foi chamado por alguns irmãos de “Uma grande inundação de luz”, são os motivos mais fortes para ter confiança de que o mesmo Senhor que forneceu luz da palavra, ainda a está provendo da mesma forma.
– CT Russell considerava os membros do chamado “segundo adventismo” como sendo irmãos na fé e a menção que faz a – não estarem obrigados a chamar de trevas aquilo que foi chamado de uma “inundação de luz” – tem a ver com a previsão, feitas por tais adventistas, de que Jesus voltaria e o mundo acabaria em 1874. Uma vez falhada a profecia, os adventistas passaram a procurar erro nos cálculos e não o encontraram, até que um associado de Russell “descobriu a falha” e tudo se harmonizou – Jesus, realmente, voltou naquele ano, porém, sem a pretensão de causar o fim do mundo” e voltou de forma invisível (!?)
Dizemos então, “Não lance fora sua confiança” em nosso Líder, “o grande Pastor das ovelhas”. Se estivéssemos seguindo um homem, as coisas seriam diferentes conosco, uma ideia humana, sem dúvida, iria contradizer outra, e aquilo que era luz há um, dois ou seis anos atrás, seria agora considerado como escuridão: Mas com Deus não existe tal variação, nem virada da sombra, e assim é com a verdade: qualquer conhecimento ou luz vindos de Deus devem ser como seu autor.
– Sendo uma realidade absoluta que “onde há o ser humano ali também há o erro”, Russell está certíssimo neste argumento! Quando seguimos homens haverá contradição e aquilo que era considerado “alimento no tempo apropriado”, em pouco tempo, deixará de ser!

– Logo após Russell cita, com muita propriedade (embora sem a respectiva referência), a Tg. 1:17, onde lemos que em Deus “…não há mudança nem sombra de variação”, e se é assim com Jeová, também é obrigatório que seja com todo o alimento espiritual que Ele, realmente, enviar.

 
Uma nova visão da verdade jamais pode contradizer uma verdade anterior. Uma ‘nova luz’ jamais apaga uma ‘luz’ mais antiga, mas acrescenta-se a ela
– Se alguém conseguir contradizer estas palavras, usando a Bíblia, que atire a 1ª pedra!
– E não para por aí, Russel ainda dá um exemplo perfeito para ilustrar a afirmação acima:
Se você estivesse iluminando um prédio que dispõe de sete bicos de gás, você não apagaria um toda vez que acendesse outro, mas acrescentaria uma luz à outra, elas ficariam em harmonia e, deste modo, proveriam um aumento da luz:
Assim é com a luz da verdade: o verdadeiro aumento ocorre por acrescentar-se luz, não por substituir uma por outra.
 
– Se assim não fosse, não se trataria de uma “luz que brilha mais e mais” mas sim de um verdadeiro “pisca pisca”(do claro, sempre com a mesma quantidade de claridade, para a escuridão e, assim, sucessivamente).
 
(…) A luz que aumenta em nosso caminho está em harmonia com a luz anterior. Assim nós fomos levados ao aumento da confiança em nosso líder (a partir deste ponto Russell passa a narrar a previsão da volta de Jesus feita pelos adventistas, a falha da profecia, a incapacidade de entender a razão da falha e a solução encontrada por seu associado).
– Por mais incrível que possa parecer, esta “luz” (ensinamento bíblico), se tornou “antiga”, pois teria sido (ao menos em parte) revogada pelo próprio Jeová!(?).
Desde então (ao menos em tese), se deixou de lado a ideia absoluta de que, para toda a verdade bíblica: “uma luz não contradiz a outra e nem a apaga” (o que é correto, porém, absolutamente insustentável, quando observamos o histórico das crenças que o CG já ensinou às TJ).  Vejamos quando e o que mudou.
 
– LUZ ATUAL: A mais “nova luz” sobre a doutrina das “novas luzes”, segundo revelou minha pesquisa, sucedeu de forma direta àquela que se tornou conhecida em 1881 e foi publicada na Sentinela de 1/8/1982 no Brasil (e em 1981 nos Estados Unidos e outros países), portanto, houve um intervalo de cerca de 100 anos entre a “nova e a velha luz”.

 

 
       Obs – Não vou omitir, na transcrição do trecho que segue (pp. 26-27 – destaques acrescidos), afirmações que tratem de aspectos diversos daquele que aqui irei analisar, mas não vou me ocupar deles. Após transcrever a integra do trecho que irei considerar vou repeti-lo “aos pedaços”, a fim de comentar:
A LUZ lançada sobre a vereda dos servos de Jeová, desde os tempos mais primitivos, tem aumentado cada vez mais. Isto tem acontecido ainda mais desde o momentoso ano de 1914, quando, conforme mostraram os acontecimentos aqui na terra, “o reino do mundo tornou-se o reino de nosso Senhor [Jeová] e do seu Cristo”. (Revelação 11:15) A luz da Palavra de Deus tem raiado como o sol numa “manhã sem nuvens”, para iluminar ainda mais a vereda que os servos de Jeová têm de seguir. — 2 Samuel 23:3, 4.
      2No entanto, a alguns talvez tem parecido que a vereda nem sempre seguiu reto em frente. Ocasionalmente, as explicações dadas pela organização visível de Jeová têm indicado ajustes que aparentemente voltam a pontos de vista anteriores. Mas, na realidade, não tem sido assim. Poderia ser comparado ao que se conhece em náutica como “bordejar”. Manobrando as velas, os marujos podem fazer o barco ir da direita para a esquerda, em ziguezague, mas sempre avançando em direção ao seu destino, apesar de ventos contrários. 
 
– Entre 1914 (ano que o texto identifica como sendo o marco do aumento de luz sobre o caminho das TJ)  e 1981 (ano de publicação desta Sentinela em Inglês) se passaram, ao menos, 67 ano!
Sessenta e sete anos de intervalo para que uma “luz”, que tem por característica inerente “brilhar mais e mais”, é um tempo tão alongado que se faz justo presumir que o “dia perfeito” ou “firmemente estabelecido” (final do v. 18 de Pv. 4) já chegou.
 
Repetindo e Comentando – Confirmando a presunção acima afirma esta Sentinela:
A luz da Palavra de Deus tem raiado como o sol numa “MANHÃ sem nuvens, para iluminar ainda mais a vereda que os servos de Jeová têm de seguir. — 2 Samuel 23:3, 4.

 

 
              Então, em 1981 (portanto a cerca 40 anos atrás), “a luz da Palavra de Deus” (conforme revelada pelo CG) já raiava, não apenas em um “dia que já amanheceu”, mas sim, em “um dia sem nuvens”, isso é, sem qualquer barreira para a iluminação solar, imagem retirada do texto de 2ª Samuel, no qual lemos (na bíblia das TJ):
3O Deus de Israel disse, A mim me falou a Rocha de Israel: ‘Quando aquele que governa a humanidade é justo, Governando no temor de Deus, 4Então é como a luz da manhã quando raia o sol, uma manhã sem nuvens. Da claridade, da chuva, há relva saindo da terra.’
Observando estes dois versos vemos que para que ocorra aquilo que está no verso 4 é necessário que ocorra primeiro o que está no verso 3, portanto, esta citação de 2ª Samuel pretende indicar, também, que em 1981, o sol já raiava no céu em uma manhã sem nuvens, porque o CG já governava a humanidade (não vou tratar desta aspecto, apenas o mencionei)!
 
              Obs – o escritor desta Sentinela não conectou Pv.4:18 a 2Sm. 23:3-4 por um acaso, aliás, considerando que o conteúdo desta Sentinela também deve ser encarado como “alimento no tempo apropriado” pelas TJ, então, foi o próprio Jeová o responsável por tal conexão de passagens bíblicas, assim, imagino o quanto as TJ que estudaram esta Sentinela ficaram gratas ao tomarem conhecimento que o ano de 1981 (1982 no Brasil) o dia “firmemente estabelecido” de conhecimento de todas as verdades bíblicas,  havia chegado)! 
 
E se já era assim em 1981, imaginem a situação neste ano de 2020, quando a luz que “brilha mais e mais” já conta com 106 anos brilhando mais e mais!
Mas, a sequência do texto, irá negar que “o dia já amanheceu”, na medida em que irá introduzir uma nova analogia, válida para justificar todos os ensinos nas quais aquilo que já foi ensinado como verdade variou (ora negando ora confirmando a “luz anterior”) ao longo do tempo. Vejamos:
2No entanto, a alguns talvez tem parecido que a vereda nem sempre seguiu reto em frente.
No início deste §2º, o texto passa a relatar aquilo que algumas (TJ) TALVEZ, estejam pensando, isto é, que a iluminação na verdade não está assim tão avançada, afinal, não obstante se ter cada vez mais luz, a progressão na verdade acaba se desviando daverdade!  Vejamos se o texto dará razão a tal (possível) raciocínio de alguns:

 

Ocasionalmente, as explicações dadas pela organização visível de Jeová têm indicado ajustes que aparentemente voltam a pontos de vista anteriores.
Mas, na realidade, não tem sido assim.
 
Ora! Como tal percepção foi, categoricamente, NEGADA, era totalmente pertinente que, na sequência, fosse reafirmada a “luz” que passou a viger em 1881, por exemplo, poderia ter sido transcrito o seguinte trecho da “luz” até então vigente:
Se estivéssemos seguindo um homem, as coisas seriam diferentes conosco, uma ideia humana, sem dúvida, iria contradizer outra, e aquilo que era luz há um, dois ou seis anos atrás, seria agora considerado como escuridão: Mas com Deus não existe tal variação, nem virada da sombra, e assim é com a verdade: qualquer conhecimento ou luz vindos de Deus devem ser como seu autor.
 
  Mas, não! Será introduzida uma nova analogia que, a pretexto de negar, CONFIRMA, a impressão das TJ que notam que as “verdades” ensinadas pelo CG variam com o tempo!

 

Poderia ser comparado ao que se conhece em náutica como “bordejar”. Manobrando as velas, os marujos podem fazer o barco ir da direita para a esquerda, em ziguezague, mas sempre avançando em direção ao seu destino, apesar de ventos contrários.
Obs – A Sentinela ora analisada contém a ilustração de um barco a velas e um desenho que busca dar uma noção visual do que significa “bordejar” (vou reproduzi-lo abaixo, fazendo apenas um pequeno acréscimo – uma linha tracejada vermelha– que representa a “linha reta” que conduz à verdade e pela qual também transita o “vento” que obriga o “barco do CG” a “bordejar”)

 

 









Em minha visão, a nova analogia, se não for a melhor, é uma das melhores que poderiam ter sido usadas a fim de negar aquilo que o CG tentou negar ao usá-la! Avaliem:

 

– 1º – Raciocinando com base na analogia usada (também vou usar de desenhos para dar uma noção visual daquilo que pretendo explicar) temos:
      – Abaixo vemos o “píer” de uma verdade bíblica qualquer (vou chamá-la de “x”): Para cada verdade bíblica existe somente um “píer” no qual se pode atracar.
 
 
 
 
 
 



– Abaixo vemos o mesmo “píer” e, marcado pela seta azul, a “linha reta” que conduz a ele, isto é, à verdade bíblica “x”. 
 
 
 

– Na sequência, vemos que foi acrescido ao desenho anterior uma linha pontilhada vermelha que indica que há “vento” na “linha reta” que leva à “verdade x” e que tal vento sopra contra as velas do barco que pretender ali ancorar.
            
         Obs – Somente quando se navega na “linha reta azul”, sem dela se desviar, é que as analogias (“luz que brilha mais e mais” e “bordejar”) se harmonizam: a luz sobre a verdade “x” brilha mais e mais, até que ela seja plenamente conhecida, se e somente se, o barco avançar para ela sempre em “linha reta”.  
– Como não será possível “navegar” em linha reta para a verdade bíblica “x”, restará ao “barco”, “bordejar”. É o que está representado abaixo:
 
 
– E por fim vemos o “barco do CG” que, exatamente, por estar “bordejando”, não conseguirá ancorar na verdade bíblica “x” e, ainda, pode acabar por colidir contra o “píer” que a contém: a BÍBLIA

 

A “analogia” que veio com a “nova luz”, como se vê, não poderia ser mais perfeita no sentido de CONFIRMAR que o “conjunto de verdades” ensinadas pelo CG são, em sua imensa maioria,  mutantes e, quem ensina e acredita em verdades mutantes, na verdade, não ensina nem crê em verdade alguma! 



– A analogia da “luz que brilha mais e mais” nunca foi propícia a expressar o que realmente ocorre, afinal:
 
– A “luz” sobre a doutrina da “nova luz” que sempre vigorou, na prática, para pelo menos 90% das doutrinas do CG sempre foi a do “bordejar”.
– Na teoria, e somente nela, se o texto de Pv.4:18 tratasse do – aumento gradual e simultâneo do conhecimento de verdades bíblicas pelo conjunto inteiro dos justos – então também seria uma analogia perfeita, afinal: 
– Jeová quer que a verdade, sobre cada tema bíblico, seja conhecida (isto é fato e os próximos pontos deixam isto claro).
– Para tanto Jeová nos deixou a Bíblia (sua palavra perfeita que, dispensa qualquer outra literatura, como o próprio inspirador dela, afirmou por intermédio do Ap. Paulo (IITm.3) quando o levou a escrever que ela é:16…proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça, 17 a fim de que o homem de Deus seja plenamente competente, completamente equipado para toda boa obra.”
– Não bastasse isso, Jesus afirmou que o Espírito Santo seria enviado (Jo. 14:16) e que Ele conduziria a toda a verdade (Jo.16:13), exatamente a fim de que não fossemos (Ef. 4:14) como:
            “pequeninos, jogados como que por ondas e levados para  cá e para lá por todo VENTOde ensino”
        – Mas, de novo, a prática mostra que a luz sobre o “barco do CG” não clareia mais e mais, mas sim, que tal “barco” “vive a bordejar” e isso leva o CG e aqueles que acreditam em seus ensinos a estarem (IITm.3:7):

 

sempre aprendendo, contudo, nunca podendo chegar

 

 a um conhecimento exato da verdade.

Obs – Antes de escrever este artigo usei esta parte da argumentação com uma TJ e ela afirmou que eu tenho que levar em consideração que existe o “inimigo” e que ele não quer o avanço do povo de Jeová e busca impedir isso de todas as formas! Esta afirmação me fez concluir que a analogia do “bordejar” pressupõe que a verdade estabelecida pelos versos bíblicos citados acima não conseguem vencer o “vento”, “vento” que impede o “barco” de seguir uma linha reta em direção à verdade, o que me leva a transformar a seguinte afirmação bíblica em uma pergunta para o CG:

aquele que está em união convosco, [CG],é maior
do que aquele que está em união com o mundo? (IJo.4:4).
 
              O CG, a fim de explicar e ilustrar como avança no conhecimento de cada verdade bíblica no qual é obrigado a “bordejar” (e estas são a maioria), não cabe mais invocar a analogia da “luz que brilha mais e mais” (mas continua e continuará fazendo isto, estou certo).
 
              A 1ª luz sobre a doutrina da “nova luz” não perdeu sua validade sobre o conjunto inteiro de doutrinas das TJ somente em 1981, desde C.T. Russell, ela já não se aplicava à imensa maioria dos ensinos, pois, “bordejar” sempre foi a regra
 
                  Não bastasse usar impropriamente da analogia da “luz que brilha cada vez mais”, tenho que destacar que o CG ainda MENTE PARA AS TJ e a Sentinela de 1981/2 não foi a única vez em que o CG MENTIU afirmando que em determinado ano a “luz brilhava mais que nunca”, há mais exemplos disso, inclusive, já citado neste Blog – na Carta Aberta que escrevi aos familiares do Sr. Alfred Pryce Hughes.
              Ali menciono que o CG, por três vezes, citou as palavras desta pessoa, sendo que, a 1ª e, principalmente, a 2ª, configuram um verdadeiro “estelionato religioso”. Notem:
Estou mui grato de ter vivido no conhecimento dos propósitos de Jeová desde aqueles dias de pouco antes de 1914, quando nem tudo estava tão claro, até estes dias; desde um dia em que havia algumas dúvidas até o dia [atual] em que a verdade brilha como o sol ao meio dia
 
  Sent. 1/9/1963, p. 536
              A citação acima (que o omite a palavra “atual”, palavra contida na próxima citação) já dava a entender que, quando assim foi afirmado, as TJ já tinham todas as verdades, palavras endossadas pelo CG e propagadas via Sentinela.
Na 2ª citação o CG omitiu parte do texto acima para dar ainda mais certeza às TJ de que “a luz da verdade bíblica já brilhava como sol ao meio dia”. Notem:
 
“Sou mui grato de ter vivido no conhecimento dos propósitos de Jeová desde aqueles dias de pouco antes de 1914, quando nem tudo estava tão claro . . . até o dia atual, em que a verdade brilha como o sol ao meio-dia.
Sent. 15/7/96 p. 20, §19
 
A parte omitida (indicado pelos três pontos em vermelho acima) reforça e potencializa a mentira usada pelo CG e, como disse, configura um verdadeiro “estelionato religioso”!
 
Já encerrando este artigo, não posso deixar de afirmar que ao ler tais propagandas enganosas do CG, o que mais me espanta, é lembrar do jargão popular:
O pior cego é aquele que não quer ver.
Ora! As TJ sabem e muito, que elas ainda não têm todas as verdades, sabem que doutrinas importantes mudam e mudam muito (como exemplo cito a famosa “geração não passará” no qual o CG “bordeja”, pelo menos, desde 1927, tanto que já “ziguezaqueou” 5 vezes, sendo as três últimas entre 1995 a 2011. Destas 5 “bordejamentos”, em dois deles, as pessoas pertencentes a “esta geração” foram identificados como “mundanos” e em três como “ungidos” (qual será a verdade?). As TJ, porém, nada notam de errado com o ensino desta “luz que brilha mais e mais” e o CG sabe disto, tanto que se arrisca a afirmar:
 
18 Com o passar dos anos, Jeová continua a nos dar mais esclarecimento da verdade, inclusive um entendimento mais claro da sua palavra profética. (Provérbios 4:18) Nos últimos anos, fomos incentivados a examinar de novo com mais entendimento — entre outras coisas — a geração que não passará antes de vir o fim, a parábola das ovelhas e dos cabritos, a coisa repugnante e quando ela estará em pé num lugar santo, o novo pacto, a transfiguração e a visão do templo no livro de Ezequiel.
S.1/1/2000 (a “luz já brilhou” pelo menos uma uma vez após o ano 2000!)

Como é possível uma TJ aceitar tudo isto como se verdade fosse?

Eu só tenho uma resposta – ESCRAVIDÃO MENTAL!
 
Para encerrar, tenho que repetir as palavras que já foram consideradas “alimento no tempo apropriado” lá em 1881 a fim de que você, TJ que lê este artigo, reflita (pegando como exemplo as  mutantes  e auto-excludentes “verdades” já ensinadas pelo CG à respeito da – Geração que não Passará):
 
Se estivéssemos seguindo um homem, as coisas seriam diferentes conosco, uma ideia humana, sem dúvida, iria contradizer outra, e aquilo que era luz há um, dois ou seis anos atrás, seria agora considerado como escuridão: Mas com Deus não existe tal variação, nem virada da sombra, e assim é com a verdade: qualquer conhecimento ou luz vindos de Deus devem ser como seu autor.
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Não concorda com que haja “escravidão mental” entre as TJ? Me escreva dizendo a razão. Não concorda com as palavras em negrito acima? Por quê? Concorda com elas mas, de alguma forma, consegue entender que elas são uma realidade em entre as TJ? Por favor, me diga como? Conhece alguma outra “nova luz” sobre este mesmo tema, que não foi citada neste artigo? Me diga qual é. Quer criticar o artigo, no todo ou em parte? Vá em frente. Quer receber o pdf da Sentinela de 1881 para conferir a tradução? É só pedir. Encontrou um erro que necessita de correção no texto acima? Por favor indique. Escreva para mim – 1tessalonicenses5.21@gmail.com – ou deixe uma mensagem (desde já – agradeço).
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