“CARTAS ABERTAS” – CORRESPONDÊNCIA 1: AOS FAMILIARES DO SR. ALFRED PRYCE HUGHES ®

“CARTAS ABERTAS” – CORRESPONDÊNCIA 1: AOS FAMILIARES DO SR. ALFRED PRYCE HUGHES ®

2 de fevereiro de 2019 Cartas Abertas Todos os Artigos 0
Brasil, 30/1/2019
Caros Familiares:
 
Recentemente, lendo a revista “A Sentinela”, publicada pela Sociedade Torre de Vigia (STV), me deparei com uma mesma afirmação, concebida pelo Sr. Hughes, que já foi publicada em três ocasiões distintas.
A primeira e a terceira publicações (bem antiga e muito recente, respectivamente) identificam o Sr. Hughes como autor daquelas palavras e a segunda publicação não informa a autoria.
 
A descoberta das publicações, do conteúdo daquilo que ele afirmou, da forma como Sentinela já usou as palavras dele e do intervalo de tempo transcorrido entre as publicações, me motivaram a lhes escrever para, em um primeiro momento, convidá-los a refletir sobre aquilo que o mesmo afirmou.
 
         Como não os conheço pessoalmente, não sei se alguns ou pelo menos um de vocês se tornou Testemunhas de Jeová (TJ) e assim permanece ou foi TJ mas deixou de ser ou se nunca chegou a fazer parte da religião das TJ, porém, em quaisquer das hipóteses pretendo, em um segundo momento, propor que cada um (re)pense a correção da decisão de: permanecer, de ter abandonado ou de passar a ser uma TJ.
 
         Inicio transcrevendo as palavras do Sr. Hughes, tais quais foram publicadas em cada uma das três vezes que já apareceram na Sentinela:
 
Primeira Publicação (sublinhado acrescido):
 
Estou mui grato de ter vivido no conhecimento dos propósitos de Jeová desde aqueles dias de pouco antes de 1914, quando nem tudo estava tão claro, até estes dias; desde um dia em que havia algumas dúvidas até o dia em que a verdade brilha como o sol ao meio dia. Se há alguma coisa de suma importância para mim, esta é a questão de conservar-me intimamente com a organização visível de Jeová. As minhas primeiras experiências me ensinaram quão insalutar é confiar em raciocínios humanos. Quando tomei mentalmente uma resolução neste sentido, determinei permanecer com a fiel organização. De que outra maneira se pode obter o favor e as bênçãos de Jeová? (Sent. 1/9/1963, p. 536 em Português e 1/4/1963 p.  220 em Inglês)
 
Segunda Publicação: Nesta, parte das palavras foi omitida (o que tornou a afirmação feita, referente à época de envolveu o ano de 1914, ainda mais clara): As palavras do Sr. Hughes, foram assim introduzidas (notar os destaques que acresci):
 
“Assim como o corpo precisa de alimento, cuidado e orientação, nós precisamos das provisões espirituais que DEUS NOS DÁ por meio da sua Palavra, do seu espírito e DA SUA ORGANIZAÇÃO. Para tirar proveito destas provisões, temos de fazer parte da família terrestre de Jeová”,
 
e logo após se afirma:
 
Depois de muitos anos no serviço de Deus, um irmão escreveu:
 
“Sou mui grato de ter vivido no conhecimento dos propósitos de Jeová desde aqueles dias de pouco antes de 1914, quando nem tudo estava tão claro . . . até o dia atual, em que a verdade brilha como o sol ao meio-dia. Se há alguma coisa de suma importância para mim, esta é a questão de conservar-me bem achegado à organização visível de Jeová. As minhas primeiras experiências me ensinaram quão imprudente é confiar em raciocínios humanos. Quando tomei mentalmente uma resolução neste sentido, determinei permanecer com a fiel organização. De que outra maneira se pode obter o favor e as bênçãos de Jeová?” (Sent. 15/7/96 p. 20, §19 tanto em Português quanto em Inglês)
 
Terceira Publicação:  Nesta as palavras do Sr. Hughes foram inseridas dentro de um artigo intitulado  “Você Está Avançando com a Organização de Jeová?” e a parte omitida foi ainda maior, o que, inclusive, alterou completamente a compreensão daquilo que ele pretendeu afirmar a respeito dos  dias “de pouco antes de 1914”:
 
Sou muito grato por ter conhecimento dos propósitos de Jeová desde aqueles dias de pouco antes de 1914 . . .Se há alguma coisa de máxima importância para mim, é a questão de me manter bem achegado à organização visível de Jeová. As minhas primeiras experiências me ensinaram como é imprudente confiar em raciocínios humanos. Uma vez que aceitei esse fato, decidi permanecer com a fiel organização. De que outra maneira se pode obter o favor e as bênçãos de Jeová?” (15/52014, p. 29, §14)
 
Como se vê, a parte omitida induz o leitor a pensar que aquilo que o Sr. Hughes afirmou a respeito do “conhecimento dos propósitos de Jeová” já era algo bem disponível em 1914, porém, o que ele afirmou foi exatamente o contrário disso!   
 
Vistas as três publicações e suas diferenças, necessário observar que: não obstante as palavras acima sejam do Sr. Hughes, a Sentinela, ao citá-las, as endossou, logo, tais palavras não podem ser consideradas apenas uma opinião isolada e particular dele, mas são sim, uma afirmação que a STV apoiou e divulgou (por três vezes) no  objetivo, evidente, de incentivar que as convicções dele fossem acatadas pelas TJs (isso fica ainda mais claro ao notarmos como as palavras do Sr. Hughes foram introduzidas, em sua segunda publicação e o contexto do artigo nas quais foram inseridas tais palavras na terceira publicação e, ainda,  o “corte” no texto nesta terceira publicação, que acabou por perverter as palavras do Sr. Hughes, sobre o “conhecimento” existente na época “em torno” de 1914 – o que beneficiou a STV)!
          Feita esse necessária observação inicial, passo a comentar trechos de uma das partes da afirmação que ele fez, encontrada na primeira publicação (que vou usar por ser completa): 
 
Estou mui grato de ter vivido no conhecimento dos propósitos de Jeová desde aqueles dias de pouco antes de 1914, quando nem tudo estava tão claro, (…)
            Na concepção do Sr. Hughes, endossada e reprisada pelo Corpo Governante (CG), pouco antes de 1914, nem tudo (certamente este “tudo” se refere ao correto entendimento sobre temas bíblicos) estava tão claro para ele, para seus co-irmãos e, portanto, para a liderança de sua religião.
 
Vejamos o que mais se afirma sobre isso, na continuação do texto (no qual irei repetir o trecho em negrito acima).
 
… quando nem tudo estava tão claro, ATÉ ESTES DIAS; desde um dia em que havia algumas dúvidas até o dia em que a verdade brilha como o sol ao meio dia.
           Não tenho como saber quando essa declaração foi feita (alguém sabe?). Isso me permitiria identificar, com precisão, que datas compõem o “…até estes dias…” ou “até o dia” (expressões sinônimas no trecho acima).          O máximo que posso afirmar é que ela foi feita antes da primeira vez em que apareceu publicada em na Sentinela, portanto, foi em data anterior a – 1/4/1963 – assim, apenas para poder fazer considerações, tendo em vista um período mais definido, vou considerar que a declaração se deu por volta dos primeiros meses do ano de 1963 (mesmo que essa presunção não seja muito precisa, certamente, está dentro de uma época na qual já havia se consolidado na mente do Sr. Hughes e das demais TJ daquela época, que as verdades bíblicas já brilhavam como sol ao meio dia).
 
Então, no início de 1963, as TJ passaram de uma situação na qual: “nem tudo estava tão claro” pois existiam “algumas dúvidas”, situação vigente “dias antes de 1914” (certamente a expressão “dias antes de 1914” deve se referir, no máximo, a 1912 e 1913) para um situação em que a VERDADE passou a brilhar como sol ao meio dia, assim, em um período aproximado de 50 anos (entre 1912-3 a 1963), o grupo que veio a se transformar nas TJ de hoje, passou a ter a inteira luz das escrituras. Continuando:
 
Se há alguma coisa de suma importância para mim, esta é a questão de conservar-me intimamente com a organização visível de Jeová. As minhas primeiras experiências me ensinaram quão insalutar é confiar em raciocínios humanos.
 
Esta trecho, na parte sem negrito, é clara e óbvia: visto que o grupo religioso ao qual pertencia o Sr. Hughes, na distante data de 1963, já conseguia enxergar os planos, propósitos e ensinos bíblicos, de forma tão clara quanto ao sol ao meio dia (algo que eliminou todas as dúvidas que tinham), era mais do que óbvio que tanto ele como todos os demais membros de tal religião (tão abençoada por Jeová) se sentissem, inclusive, na obrigação de estarem intimamente ligados a ela.
 
Já o entendimento do trecho em negrito, requer mais subsídios presentes na Sentinela de 1963 (na qual existem 4 páginas de declarações do Sr. Hughes).
Na primeira delas (p.533 na edição em português), creio eu, está a chave para se entender o trecho em negrito ora considerado: Ali ele afirmou:
MEU interesse por Deus e pela Bíblia começou quando eu era um garoto de mais ou menos oito anos. Era meu costume freqüentar a classe de estudo bíblico da escola de nossa aldeia em Shropshire, Inglaterra. Lembro-me de nosso estudo sobre a vida do apóstolo Paulo e de eu ter o desejo de servir a Deus do mesmo modo. Estes primeiros contatos
com a Bíblia fizeram muito para modelar a minha vida nos anos futuros.
             Logo na sequência o Sr. Hughes irá narrar que foi morar com parentes, em outra cidade, parentes que falavam sobre um “impendente fim do mundo” e que, graças a sua tia, acabou conhecendo C.T. Russell (fundador do movimento que se transformou nas TJs), assistiu um discurso público dele e, após, passou a frequentar outras reuniões do “povo de Jeová” e foi batizado. 
 
Esses fatos revelam que a dita “classe de estudo bíblico da escola” não era ligada aos “Estudantes da Bíblia” daquela época, então, a referência às “primeiras experiências”, têm a ver com o período onde o Sr. Hughes aprendia da Bíblia na “religião falsa”, na “Babilônia a Grande” (como afirmam as TJ de hoje), logo, quando o  mesmo afirma:
 
    As minhas primeiras experiências me ensinaram quão insalutar é confiar em raciocínios humanos.
 
ele está se referindo ao período no qual estava associado a um grupo religioso diverso dos “Estudantes da Bíblia”. Foi naquele primeiro grupo que o mesmo aprendeu que é “insalutar confiar em raciocínios humanos” (mais ao final desta voltarei a este ponto).
 
Continuando:
 
Quando tomei mentalmente uma resolução neste sentido, determinei permanecer com a fiel organização. De que outra maneira se pode obter o favor e as bênçãos de Jeová?
          A “resolução mental” mencionada deve ser uma referência ao batismo (que ocorreu em 1913). Além de estarem certos de que tinham a plena verdade bíblica, as TJs daquela época também ganharam a percepção de que, deixar de ser fiel a organização, significaria, ao mesmo tempo, deixar de contar com o favor e bênçãos de Jeová. Visto isso, passo para a segunda parte desta carta.
 
– Introdução:
Em primeiro lugar, devo deixar claro que esta carta aberta, de forma alguma tem o objetivo de insultar, magoar, difamar o Sr. Hughes ou qualquer outra TJ. Visando garantir isso, faço os seguintes compromissos:
 
– Resumir ao máximo aquilo que ainda tenho para lhes escrever, me limitando apenas aquilo que for mais essencial (se fosse fazer uma exposição mais completa, essa carta não teria menos de 20 páginas).
– No restante desta carta vou me limitar a citar algumas poucas publicações da STV e versos bíblicos a fim de comentar. O primeiro deles é esse:
 
1Ts. 5:21Certificai-vos de todas as coisas; apegai-vos ao que é excelente.
 
Como se vê, o “certificai-vos” está no modo imperativo, logo, não se trata apenas de autorização, existe o dever de nos certificarmos de todas as coisas, para, então, termos condições de saber se há algo excelente a se aproveitar naquilo que nos certificamos.
 
Questão Principal: Em 1963 as TJ, realmente, atingiram uma posição diversa dos dias que antecederam 1914 (“quando nem tudo estava tão claro” ehavia algumas dúvidas”) epassaram para uma condição na qual: “a verdade brilha como o sol ao meio dia”?
 
         Inicio informando que, bem mais recentemente, o CG fez afirmação que, pela generalidade, indica que a pergunta acima deve ser respondida de forma afirmativa! Notem:
 
As pessoas se sentiam atraídas a Jesus porque ele era “de temperamento brando e humilde de coração”. (Mat. 11:29) Por outro lado, uma atitude de superioridade afasta as pessoas. Assim, embora estejamos totalmente convencidos de que TEMOS A VERDADE, é sensato evitar falar de modo dogmático. (Mnt.do Reino 8/2002 p.8 §5º)
 
Ocorre que a resposta à pergunta proposta (como ficará claro na sequências desta) é (um sonoro) “não” e essa resposta é válida, tanto na época em que  Russell iniciou o grupo que ficou conhecido como “Estudantes da Bíblia”,  passando por 1963 e chegando a 2019 e, o pior, AS TJ SABEM DISSO!
A razão principal pela qual as TJs sabem que a resposta é “não” reside no fato de que as mesmas acreditam, desde o início da STV, em uma doutrina que tem por único fim justificar todas as inúmeras mudanças no conjunto de “verdades” que já ensinam (doutrina conhecida pelo nome de “Iluminação Progressiva” – baseada em Pv.4:18)!
 
Assim, as TJ de todas as épocas sabem que não conhecem toda a verdade, sabem que não têm todas as respostas e que pairam muitas dúvidas sobre temas bíblicos, não obstante, conseguem aceitar, também,  afirmações como a do Sr. Hughes e a do Ministério do Reino citado, como se verdades absolutas fossem!
 
Isso ocorre porque os dirigentes das TJ, desde Russell, sempre tiveram uma incrível habilidade de fazerem as TJ acreditarem (piamente) em algo que, no fundo, todas elas sabem ser falso, porém, isso não gera conflito, não é capaz de gerar uma crise de consciência – o que seria natural e obrigatório para pessoas (via de regra) bem intencionadas, como são as TJs!
Quando a Sentinela repetiu as palavras do Sr. Hughes, em 1996, introduzindo-as da forma como o fez e, ainda, omitindo parte do texto, o que tornou aquilo que ele quis dizer ainda mais claro (que as TJ, em 1963, já tinham toda a verdade) ou quando, cerca de 6 anos mais tarde, publicou o Ministério do Reino transcrito, deveriam as TJ (como deveriam ter feitos em muitas outras oportunidades):
 
– Ou entender que a “Doutrina das Novas Luzes”, vigente desde sempre entre as TJs, foi oficialmente revogada e, portanto, agora, SIM, as TJ têm, finalmente, toda a verdade bíblica ou
 
– Perceberem que tal doutrina impede as TJ de conhecer, a rigor, qualquer verdade, pois, como qualquer ponto de fé que defendam está sujeito, a qualquer momento, a receber uma ou mais “novas luzes”, cada um de tais pontos de fé pode ser: uma mentira completa, uma meia verdade ou  uma verdade pronta e acabada que, não obstante, pode ou não, receber novas luzes!
Obs – Algumas poucas vezes as publicações da STV já revelaram que, na verdade, as crenças das TJ não passam de uma “verdade ATUAL”, como se vê no trecho de um outro Ministério do Reino, no qual o CG pergunta às TJ:
 
Cumpre fielmente suas designações teocráticas e mantém-se A PAR DA VERDADE ATUALpor estudar diligentemente a Palavra de Deus E O MAIS RECENTE alimento espiritual distribuído pelo “escravo”? — Mat. 24:45-47.
M.R. – 11/1985, p.3
          Mas nem essa estranhíssima afirmação (que chama de “verdade” inclusive, conhecimentos que, por se mostrarem falsos pelo mero passar do tempo, precisam ser substituídos) consegue colocar as mentes das TJs em conflito!
Notem, ainda, mais esta recentíssima afirmação do CG que, com um só golpe, desmente o que afirmou o Sr. Hughes, bem como, o que afirmaram ambos os Ministérios do Reino citados:
 
O Corpo Governante não recebe revelações da parte de Deus nem é perfeito. Por isso, ele pode cometer erros aos explicar assuntos da Bíblia ou ao dar orientações. Tanto é que no Índiceencontramos o assunto “Esclarecimento de Crenças”, com uma lista de ajustes em nosso entendimento da Bíblia desde 1870. Na verdade, Jesus não disse que o escravo ia dar alimento espiritual perfeito. (S. 2/2017 p. 26)
 
    A mente de uma TJ, ao ler a afirmação acima, deveria “entrar em parafuso”, pois, como é possível “a vereda do justo ficar cada vez mais clara” (Pv.4:18) se nem mesmo o canal de comunicação que Jeová usa e que, portanto, pertence a Ele, consegue evitar o ensino de ERROS (que devemos, mais propriamente chamar de MENTIRAS), ao explicar assuntos bíblicos?!
Além disso, o trecho destacado em vermelho, na verdade, é uma COMPLETA, TOTAL e INACREDITÁVEL BLASFÊMIA contra Jesus, pois, conforme o texto de Mt. 24:45, o alimento que o “escravo” (o CG) distribui às TJ (conforme o próprio CG ensina que foi comissionado a fazer) não é dele (CG), mas sim, pertence ao próprio Jesus e como Jesus é, entre outros atributos, A PRÓPRIA A VERDADE(Jo.14:6) e o VERDADEIRO Pão do Céu (Jo. 6: 32 a 35) como pode haver qualquer imperfeição em alimento que a Ele pertencente?
Pergunto: Era realmente necessário que a Bíblia tivesse registrado Jesus afirmando, expressamente, que seu “escravo” distribuiria “alimento espiritual perfeito” para que pudéssemos entender que o alimento que o CG distribui (que, repito, segundo Mt. 24:45 é propriedade do próprio Jesus) é perfeito?
 
Mas as questões evidentes e inevitáveis que surgem das considerações acima, insisto, passam longe da mente da imensa maioria das TJ, por razões que, em qualquer nível, não podem ser saudáveis!
 
Se aproximando do final desta, gostaria de fazer apenas mais dois destaques nas palavras do Sr. Hughes:
 
Como já vimos, ele afirmou:
As minhas primeiras experiências me ensinaram quão insalutar é confiar em raciocínios humanos.
 
A época na qual o ele confiou em, “raciocínios humanos”, foi aquela na qual estava aprendendo a Bíblia com pessoas que pertenciam à “religião falsa”, logo, a contrario sensu do que afirmou acima, entre as TJ de sua época ele não encontrou raciocínios humanos, pois, se também os tivesse encontrado ali, não poderia neles confiar! Essa conclusão leva a uma pergunta bem evidente:
 
Sendo as TJ (de qualquer época) pessoas humanas, não é
 de se esperar que dentre elas haja (inclusive em
meio a seus lideres) “raciocínios humanos”?
 
Em um outro trecho da mesma Sentinela de 1963 ele afirmou:
 
… Uni-me com Edgar Clay, (…) e comecei meu período de sete anos de pioneiro, (…). Sempre foi o nosso costume deixar que a ORGANIZAÇÃO DE JEOVÁ nos designasse o território e isto sempre provou-se melhor.
 
Certamente, ao menos mais diretamente, quem designava onde o Sr. Hughes deveria servir eram os lideres de sua organização (humanos, que tinham raciocínios humanos, raciocínios  que eram usados ao tomarem decisões), porém, como se vê, para ele quem tomava essa decisão era a “Organização de Jeová” e isso me faz chegar à seguinte conclusão razoável:
 
– Quem toma as decisões na “Organização de Jeová” é o próprio Jeová (só pode ter sido isso que o Sr. Hughes quis indicar com a afirmação sublinhada acima).
 
E é esse o ponto: Toda a TJ admite, em seu íntimo, que há uma atuação sobrenatural de Jeová sobre a STV, atuação que impede “raciocínios humanos erráticos”, dos quais nenhuma organização humana está isenta, de causar qualquer desvio para fora da vontade e dos ensinos que Jeová provê!
 
E notem que o CG incentiva tal conclusão, quando afirma coisas como:
Uma vez que verificamos qual o instrumento que Deus usa como seu “escravo” para distribuir o alimento espiritual ao seu povo, Jeová certamente não se agradará se recebermos este alimento como se pudesse conter algo prejudicial.DEVEMOSter confiança no instrumento que Deus usa. (Sent. 15/8/81 p. 19)
 
Ocorre que tal “atuação sobrenatural” nada mais é o que chamamos de “inspiração”, afinal, foi exatamente essa mesma “atuação sobrenatural” de Jeová que o permitiu usar homens imperfeitos como instrumentos para que escrevessem, ao longo de vários séculos, a Bíblia, livro que as TJ afirmam que não contêm erros humanos, não obstante ter sido escrita por vários e imperfeitos homens que, certamente, eram repletos de raciocínios humanos!
 
         Somente tal convicção interna pode levar uma pessoa a afirmar, com sinceridade: “- o quão insalutar é confiar em raciocínios humanos” ou “devemos ter confiança no instrumento que Jeová usa” não obstante, estar em uma organização humana, cujos líderes (humanos) tomam decisões que afetam todos os liderados (inclusive em questões que envolvem a vida e a morte, própria e até de filhos menores)!
 
         Mas quando perguntamos se o CG é “inspirado” a resposta oficial, expressa, escrita (tanto do CG quanto das TJs) é (o trecho transcrito abaixo está no parágrafo seguinte de onde retirei a citação acima):
 
É verdade que os irmãos que preparam essas publicações não são infalíveis. Seus escritos não são inspirados assim como eram os de Paulo e dos outros escritores bíblicos. (2 Tim. 3:16) (Sent. 15/8/81 p.19)
         Não obstante, o CG, demonstrando que tem habilidade para manipular a mente das TJ como  bem entender, no mesmo sentido afirmado pelo Sr. Hughes, já ensinou também:
 
Os homens desse corpo governante, como os apóstolos e anciãos em Jerusalém, têm muitos anos de experiência no serviço de Deus. Mas não confiam na sabedoria humana ao fazerem decisões. Não, sendo GOVERNADOS TEOCRATICAMENTE, seguem o exemplo do primitivo corpo governante em Jerusalém cujas decisões baseavam-se na Palavra de Deus e eram feitas sob a direção do espírito santo. — Atos 15:13-17, 28, 29. (Livro: Poderá Viver… p. 195, §14)
 
Minha conclusão é que esta estranhíssima “dualidade contraditória” que habita a mente das TJ (sem gerar qualquer conflito), não nasce ali espontaneamente, ela é, hábil e desonestamente, implantada pelo CG!
           O que vocês pensam a respeito? Concordam com esses meus raciocínios?
       A fim de facilitar a resposta vou reprisar abaixo, apenas alinhando os textos, duas afirmações do CG já transcritas acima (lembrando que o CG que diz ser: o “escravo” de Jesus, que distribui o alimento pertencente a ele, Jesus – no tempo apropriado) e associá-lo a um texto bíblico. Não vou comentar, para que possam retirar as próprias conclusões (apenas peço que leiam na ordem indicada):

Passando ao último ponto desta carta, como afirmei no início, não sei se vocês:

1– nunca foram,
2– deixaram de ser ou
3– continuam sendo TJs,
mas, seja como for, gostaria de citar uma última publicação do CG a fim de que (re)pensem, a partir dela e de tudo o que leram acima, se cada um de vocês está correto ou não ao se encontrar na situação 1, 2 ou 3 indicadas.
 
Sabendo disso, o que fará você, leitor? É evidente que o verdadeiro Deus, sendo “Deus da verdade” e odiando a mentira, não considerará com favor os que se apegam a organizações que ensinam a falsidade. (Salmo 31:5; Provérbios 6:16-19; Revelação 21:8) Realmente, gostaria mesmo de se associar com uma religião que não o tratou com honestidade? (Livro – É essa Vida Tudo o que Há p.45, §5º).
Agora é com vocês!
         Era isso o que tinha a lhes escrever, esperando que encontrem nessa carta aberta “coisas excelentes” nas quais possam se apegar e, assim como o Apóstolo Paulo,  espero que não me encarem como inimigo, pois, busquei lhes falar apenas a verdade (Gl. 4:16), raciocinando com base nas citadas literaturas produzidas pelo CG e nas Escrituras (At.17:2).
 Att.
 2Ts. 5:21

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